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Política

Saiba o que está por trás da crise dos Correios que se arrasta por 12 trimestres de prejuízos

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A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, os Correios, enfrenta uma crise econômico-financeira, que começou em meados de 2022, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e que continua na gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Desde 2022, são 12 trimestres seguidos de prejuízos na empresa pública, que alcançou um déficit de R$ 4,36 bilhões no primeiro semestre de 2025.
🔎O termo “déficit” significa que os gastos somados foram maiores que a receita que os Correios conseguiu gerar no ano.
Em outubro, a estatal anunciou a busca por R$ 20 bilhões em empréstimo para tentar conter a crise. Nesta sexta-feira (21), a nova gestão aprovou o plano de reestruturação da empresa e informou que espera que a tomada de empréstimo ocorra até o fim deste mês.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Os resultados negativos em sequência resultaram, no ano passado, no primeiro prejuízo bilionário da empresa desde 2016.

Naquele ano, os Correios tiveram prejuízo de R$ 1,5 bilhão (R$ 2,3 bilhões, em valores atualizados). Em 2024, o prejuízo foi de R$ 2,6 bilhões.
Veja abaixo, em tópicos, o principais fatores que levaram os Correios à atual situação:
Gastos com pessoal
Remessa Conforme
Fluxo de Caixa
Investimentos
Precatórios
Unidades deficitárias
Medidas contenciosas
Alternativas
Correios anunciam plano para cobrir rombo bilionário nas contas da empresa
Gastos com pessoal
Um dos motivos que levaram ao primeiro prejuízo em 2022 não é muito diferente do que acontece na atual gestão: gastos com pessoal.
À época, a gestão do presidente Floriano Peixoto Vieira Neto informou que os custos tinham aumentado em função de dois reajustes salariais, um de 9,75%, retroativo a agosto de 2021, após acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), em setembro de 2022.
E outro de 10,12%, quase duas vezes maior que a inflação daquele ano, mais um abono indenizatório de R$ 1 mil para cada empregado.
Os acordos coletivos de trabalho dos Correios são firmados ao longo do ano e por isso têm validade em um intervalo de 12 meses que atinge dois anos diferentes, geralmente o segundo semestre de um e o primeiro semestre do seguinte.
Só naquele ano, o impacto dos dois reajustes salariais nas contas dos Correios foi de R$ 820,5 milhões. Entretanto, o segundo reajuste salarial, que também envolveu os vales de alimentação e de refeição, causou um impacto de R$ 1,3 bilhão para o ano de 2023, já sob a gestão do presidente Fabiano Silva.
No ano seguinte, em 2024, os Correios assinaram um novo acordo coletivo que concedeu até 6,57% de reajuste salarial para 71 mil empregados, a inflação no ano foi de 4,83%.
Somado a isso, também foi aprovado um reajuste aumentando a base salarial em 30%. E o impacto em 2024 foi uma elevação de gastos com folha de pagamento de R$ 894 milhões.
Já o acordo coletivo estabelecido no ano passado previu um reajuste linear de 4,11% para os empregados e um benefício de gratificação de 70% a ser recebido nas férias seguintes à assinatura.
Com isso, só no primeiro semestre deste ano de 2025 o aumento na folha de pagamento foi de R$ 547 milhões.
Além desses gastos, em 2024 os Correios fecharam um acordo com a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) para assumir uma dívida referente ao “Plano de Benefício Definido (PBD)” de aposentadoria e pensão para os funcionários.
Com isso, a empresa acordou pagar agora R$ 2,4 bilhões, corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 349 meses. E mais uma previsão de R$ 5,4 bilhões que deverão ser pagos conforme a aposentadoria dos beneficiários do plano.
Correios: saiba o que está por trás da crise que se arrasta por 12 trimestres de prejuízos
Remessa Conforme
Outro fator que impactou diretamente a situação econômico-financeira da estatal foram as mudanças implementadas pelo programa “Remessa Conforme”, criado pelo Ministério da Fazenda em 2023.
O governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas. A medida ficou conhecida como “taxa das blusinhas”.
Com a instituição do programa, a legislação brasileira passou a permitir que empresas de transportes façam o frete pelo Brasil de mercadorias internacionais, deixando de ser obrigatória a distribuição das encomendas junto aos Correios, como era feito até então.
E isso gerou um impacto significativo nas receitas dos Correios. Um estudo produzido pela empresa no começo do ano apontou que a estatal teve uma frustração de receita de R$ 2,2 bilhões após o implemento do programa.
As demonstrações financeiras de 2024 apontam que houve uma redução de receita com encomendas internacionais de R$ 531 milhões, em relação a 2023.
‘Taxa das blusinhas’: Veja como ficam os preços de produtos internacionais com novo imposto
Já para o primeiro semestre de 2025, os Correios obtiveram R$ 815 milhões de receita com as encomendas internacionais e viram a redução dessa renda despencar em R$ 1,3 bilhão em relação ao mesmo período do ano passado, quando registrou R$ 2,1 bilhões.
Com a difusão das compras por meio de marketplaces internacionais, nos últimos anos, essa receita chegou a responder por quase 25% de todo o faturamento da empresa.
Ainda no primeiro semestre deste ano, os Correios até conseguiram aumentar suas receitas com transporte de encomendas em território brasileiro, entretanto não foi o suficiente para melhorar o resultado financeiro da empresa.
Fluxo de caixa
Com o aumento de despesas e a redução de receitas, o maior impactado é o caixa da empresa. Em 2023, a empresa fechou o ano com R$ 3,2 bilhões disponíveis para uso ou em aplicações financeiras.
Entretanto, após uma série de medidas que geraram despesas, a empresa fechou o ano de 2024 com R$ 249 milhões em caixa. Uma redução de 92%.
Ao fim do ano passado, a situação já era considerada crítica e os Correios tomaram R$ 550 milhões em empréstimos junto aos bancos Daycoval e ABC para conseguir pagar as contas de final de ano.
Ao todo, os Correios estimam pagar R$ 69 milhões em juros com esses empréstimos, o equivalente a 13% do valor total captado.
A empresa pegou os empréstimos e decidiu quitá-los integralmente em 2025. As parcelas começaram a vencer neste mês de julho e seguem até dezembro.
Sem dinheiro em caixa, os Correios estão desde o final do ano passado com relevantes dificuldades fiscais, o que tem gerado atrasos nos pagamentos de credores.
Em julho, o g1 obteve acesso a um documento no qual a empresa formaliza o adiamento no pagamento de diversas obrigações, que somam R$ 2,75 bilhões.
“Com foco na continuidade das operações, essa iniciativa teve como objetivo central preservar a liquidez e reequilibrar, ainda que temporariamente, a estrutura do fluxo de caixa, mitigando os efeitos imediatos do desequilíbrio financeiro entre entradas e saídas”, afirma o texto.
E, para pagar os dois empréstimos de 2024 e parte das demais contas, em junho, a gestão do ex-presidente Fabiano Silva tomou outro empréstimo, com um consórcio de bancos, no valor de R$ 1,8 bilhão e com a expectativa de pagar R$ 367 milhões em juros.
A empresa estima que a taxa de juros efetiva para esse empréstimo é de 21,99% ao ano.
O atual presidente da empresa, Emmanoel Schmidt Rondon, justificou que os Correios estão em busca de um empréstimo de R$ 20 bilhões também como forma de diminuir a taxa de juros contratada na gestão passada.
Ao todo, o dinheiro seria usado para liquidar os empréstimos em aberto e dar fôlego ao caixa da empresa.
“A gente precisa recuperar a liquidez da empresa para que a gente possa, por exemplo, ter capacidade de pagar o Plano de Demissão Voluntária (PDV). Estamos fazendo uma operação com bancos para a realizar uma operação de tomada de recursos”, afirmou o presidente em outubro.
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Investimentos
Nas Demonstrações Financeiras de 2024, os Correios informaram que, mesmo em meio a dificuldades financeiras, investiram R$ 830 milhões ao longo do ano, totalizando R$ 1,6 bilhões desde que a nova gestão assumiu.
Nos últimos dois anos, foram R$ 698 milhões na aquisição de novos veículos e outros R$ 600 milhões gastos em manutenção da infraestrutura operacional da empresa.
🚐Parte dos veículos adquiridos faz parte do plano estratégico da empresa de 5 anos para transição ecológica de suas atividades. Desta forma, apenas em 2024 foram adquiridos:
50 furgões elétricos;
3.996 bicicletas cargo com baú; e 2.306 bicicletas elétricas.
A empresa ainda comprou 1.502 veículos para renovar a frota já existente.
E, apesar do prejuízo em 2024, a empresa reafirmou que manterá sua estratégia de investimentos que ampliem “soluções tecnológicas” e reduzam o impacto no meio ambiente.
“A sustentabilidade continuará a ser tema central em nosso dia a dia. Esperamos evoluir ainda mais em nossos propósitos de caráter social e ambiental”, afirmou a empresa.
Precatórios
Em grandes empresas, como os Correios, uma conta que tem muita importância é a de processos judiciais. Segundo regras contábeis, nelas são registrados todas as estimativas de prováveis perdas que a empresa pode ter em função de disputas judiciais.
E, no caso das empresas públicas, quando uma decisão judicial é desfavorável e precisa ser paga, ela se torna um precatório, que é a promessa de pagamento mas em um determinado período, respeitando os limites orçamentários – uma vez que o governo não pode pagar algo que não foi previsto anteriormente na elaboração do orçamento.
Durante o ano de 2023, a gestão do então presidente Fabiano Silva optou por fazer um acordo de intenção de desistência com Tribunal Superior do Trabalho (TST), com o objetivo de reduzir o número de processos trabalhistas em tramitação, aceitando a derrota e se comprometendo a não recorrer de decisões.
O acordo afetou 3.781 ações que corriam no tribunal.
Além disso, as despesas com precatórios dispararam no período, atingindo R$ 1,6 bilhão em junho de 2025, mais de três vezes o que foi registrado em 2022.
De acordo com uma estimativa de quitação feita pelos Correios nas Demonstrações Financeiras de junho deste ano, a empresa ainda tem a pagar em 2025 R$ 913 milhões em precatórios.
Para todo o ano de 2026 o valor previsto é de R$ 1 bilhão e para 2027, R$ 44 milhões. Entretanto, esses valores podem aumentar em caso de novas derrotas ou acordos de desistência na Justiça.
Unidades deficitárias
Entre as justificativas para o resultado negativo de 2024, dadas pelos Correios na apresentação das Demonstrações Financeiras está a de que apenas 15% das 10.638 unidades de atendimento têm superávit – quando as receitas são maiores do que as despesas.
“Ainda que 85% das unidades sejam consideradas deficitárias, os Correios garantem o acesso universal de todas e todos aos serviços postais, com tarifas justas, em cada um dos 5.567 municípios atendidos”, ponderou os Correios.
Lidar com agências deficitárias é um problema que a estatal brasileira passa por ser membro da União Postal Universal (UPU), que a obriga, por exemplo, a garantir a distribuição de encomendas em todo território nacional.
Assim, ela fica impedida de se desfazer de algumas unidades que trazem prejuízo por serem postos de apoio necessários para cumprir com as exigências da UPU.
Agência dos Correios
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Medidas contenciosas
Para tentar contornar os recorrentes prejuízos e a baixa disponibilidade de dinheiro em caixa, por três vezes as gestões dos Correios anunciaram planos estratégicos, o último em 15 de outubro.
Entretanto, este último plano é uma releitura das medidas que já estavam sendo adotadas pela gestão anterior dos Correios. Ainda não se sabe os impactos que tiveram desde que anunciadas em maio.
“Não temos o impacto total que as medidas anteriores tiveram, mas elas foram emergenciais, e não reestruturantes como agora”, afirmou o atual presidente da empresa, Emmanoel Schmidt Rondon.
Em 15 de outubro, o atual presidente um plano de medidas se divide em três grupos:
Corte de despesas operacionais e administrativas;
Busca pela diversificação de receitas, com recuperação da capacidade de geração de caixa;
Recuperação da liquidez da empresa.
Correios anunciam novas medidas para estancar prejuízo de quase R$ 3 bi
Para atender ao primeiro grupo, Rondon informou que será aberto um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) dos funcionários para equilibrar as contas.
Mas o presidente dos Correios não entrou em detalhes sobre como o programa será feito. Em maio, a empresa encerrou outro PDV, que teve uma adesão de 2.500 funcionários e um impacto de R$ 220 milhões no balanço.
A empresa também colocará à venda imóveis ociosos e buscará renegociar os contratos com os maiores fornecedores, “sem colocar em risco a segurança jurídica das operações”, que por vários momentos foram paralisadas em função de atrasos.
De acordo com as Demonstrações Financeiras de junho de 2025, até o momento a empresa conseguiu vender R$ 2,9 milhões de imóveis ociosos.
Para atender o segundo ponto, o presidente dos Correios pontuou que a empresa vai buscar ampliar a receita da empresa por meio de novos produtos, que não foram detalhados.
E o terceiro tópico é a busca pelo empréstimo de R$ 20 bilhões, que aliviará o caixa da empresa entre 2025 e 2026, ajudando na reestruturação a longo prazo.
Medidas tomadas em maio de 2025:
➡️ Revisão da estrutura dos Correios Sede: redução de pelo menos 20% do orçamento de funções (redução dos cargos comissionados);
➡️ Incentivo à redução da jornada de trabalho: diminuição do horário de trabalho para 6 horas diárias e 34h semanais. Atualmente, são 8h diárias e 44h semanais.
➡️ Suspensão temporária de férias: a partir de 1º de junho de 2025, referente ao período aquisitivo deste ano. As férias voltarão a ser usufruídas a partir de janeiro de 2026;
➡️ Prorrogação das inscrições para o Programa de Desligamento Voluntário (PDV): até 18 de maio de 2025, mantendo os atuais requisitos de elegibilidade;
➡️ Incentivo à transferência, voluntária e temporária, de agente de correios: o pagamento do adicional de atividade será o mais vantajoso para empregados;
➡️ Convocação para o retorno ao regime de trabalho presencial: todos os empregados devem retornar ao trabalho presencial a partir de 23 de junho de 2025, com exceção daqueles protegidos por decisão judicial;
➡️ Lançamento de novos formatos de planos de saúde: a escolha da rede credenciada será dialogada com as representações sindicais. A economia estimada será de 30%;
➡️ Lançamento do marketplace próprio ainda em 2025;
➡️ Captação de R$ 3,8 bilhões com o New Development Bank (NDB), para investimentos internos.
➡️ Compartilhamento de unidades operacionais
➡️ Venda de imóveis ociosos
➡️ Redução de custos com manutenção
➡️ Otimização da malha operacional e logística
➡️ Revisão de contratos nas 10 maiores Superintendências Estaduais
➡️ Reestruturação da rede de atendimento
➡️ Aprimoramento da malha de transporte aéreo e terrestre
Alternativas
Além da busca por um equacionamento econômico-financeiro por meio da redução de despesas e aumento de receitas e do empréstimo de R$ 20 bilhões que a empresa está buscando, um velho tema volta à tona como opção para a empresa nos bastidores da Esplanada dos Ministérios: a privatização dos Correios.
Para o jurista Fernando Vernalha, o assunto deve, sim, ser reconsiderado como uma alternativa ao modelo atual de gestão que vem sendo praticado.
“Deveríamos debater o assunto, com mais pragmatismo e com desprendimento ideológico. A gente precisa olhar para o problema dos Correios com uma visão mais pragmática, o que é melhor para nós, para o cidadão, para União, do ponto de vista econômico?”, afirmou Vernalha em entrevista ao g1 em outubro.
Entretanto, ele pondera que uma possível privatização pode ter dificuldade em função da forma como pode ser feito o desmembramento da empresa, que precisa atender todos os municípios brasileiros mesmo que essas operações apresentem prejuízo.
“A gente já teve o desafio de universalizar vários serviços públicos, como telefonia, e houve concessões ou privatizações com modelagens que conseguiram associar o filé e o osso, com frentes mais rentáveis e frentes deficitárias”, avaliou o especialista.

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Política

Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda

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A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.

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Política

Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja

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Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).

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Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado

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Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP

O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).

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