Política
Suspensão de votação presencial na Câmara ajuda na campanha eleitoral, dizem deputados
No sábado, presidente Arthur Lira publicou ato que permite a deputados votarem remotamente. Justificativa é pandemia. ‘Ajuda o ambiente de pré-campanha’, diz líder do governo. Deputados no plenário da Câmara durante sessão deliberativa no último dia 22
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
A decisão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de suspender a retomada dos trabalhos presenciais vai dar tempo aos deputados para fazer campanha eleitoral nos estados e concluir as negociações da chamada “janela partidária” (período que permite a troca de partido e que se encerra em 1º de abril), segundo parlamentares ouvidos pelo g1.
Publicado em edição extraordinária do “Diário da Câmara dos Deputados” de sábado (5), o ato determinou a suspensão por tempo indeterminado das sessões do plenário em caráter presencial, cuja retomada estava prevista para esta semana. No último dia 22, Lira havia afirmado que não prorrogaria o ato da Mesa Diretora que permitia aos deputados votar remotamente nas sessões. “A princípio, não [vai prorrogar ato]. Todos vocês estão aqui, o clima já está normal, a Ômicron já está baixando”, afirmou naquele dia o presidente da Câmara.
Presidente da Câmara Arthur Lira – PP suspendeu por tempo indeterminado as sessões presenciais
A justificativa oficial para a medida publicada no sábado (5) foi a pandemia de Covid-19. Entretanto, segundo deputados ouvidos pelo g1, o ato atende a interesses eleitorais dos congressistas, que terão mais facilidade de articular alianças e fazer pré-campanha em seus estados.
Nos bastidores, deputados entendem que o ato também ajuda a segurar os trabalhos remotos pelo menos até o fim da janela partidária, a fim de ajudar nas negociações sobre as trocas de partido e a articulação de alianças regionais. “Estamos fechando parcerias. Isso vai ajudar”, disse um deputado ao g1.
O líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR), reconheceu que o ato da Mesa Diretora vai ajudar na pré-campanha dos parlamentares.
“Neste mês, começaram as negociações para filiações na janela partidária”, destacou. “Ajuda o ambiente de pré-campanha e ajuda o deputado a trabalhar e a votar ao mesmo tempo”, afirmou Barros.
“Acho que [a decisão de Lira] foi correta na medida em que ainda temos uma pandemia. E também vai nos ajudar na aprovação das matérias, no conforto do deputado”, completou.
Articulações regionais
Líder do recém-criado União Brasil, o deputado Elmar Nascimento (BA) também defendeu o texto e disse que o “destino de cada deputado se resolve nas articulações regionais”.
“Temos o período de janela partidária agora. E isso, somado à pandemia, justifica o ato. Mais um mês e retoma [o trabalho presencial]”, declarou.
Para o deputado Vinícius Carvalho (Republicanos-SP), líder do partido, a motivação eleitoral não foi discutida, e o ato é oportuno apenas em razão da pandemia.
“A meu ver, essa medida tem como objetivo principal diminuir a circulação de pessoas nas dependências da Câmara dos Deputados porque em momentos de normalidade chegamos a ter aproximadamente 20 mil pessoas nas terças e quartas-feiras”, afirmou.
Oposição
A oposição e o partido Novo apoiam a manutenção dos trabalhos remotos, mas criticam a redação do texto.
Segundo eles, a participação nas sessões ficará restrita apenas aos deputados que estiverem presentes na Câmara. Pelo modelo atual, os parlamentares têm direito à palavra mesmo estando fora de Brasília.
“Quero dialogar com o presidente, porque o ato parece restringir a participação do parlamentar que está no regime remoto e isso é prejudicial ao exercício do mandato. Se for híbrida a votação, que seja híbrida também a participação dos deputados”, afirmou o líder do PT, Reginaldo Lopes (PT-MG).
De acordo com o texto do ato, “o deputado que estiver presente no recinto em que se realize a sessão ou reunião poderá se utilizar dos microfones disponíveis”. O g1 questionou a Secretaria Geral da Mesa e aguardava resposta até a última atualização desta reportagem.
Na avaliação do líder do partido Novo, Tiago Mitraud (MG), o modelo “ficou no meio do caminho” e diferencia os deputados que estão na Câmara e os que estão em regime remoto.
“Esse novo formato é ruim, porque acaba ficando no meio do caminho: nem híbrido nem presencial. Ele cria dois tipos de deputado — o que está apenas votando e o que tem acesso à palavra e vota”, disse.
O líder da oposição, deputado Wolney Queiroz (PDT-PE), disse que reunirá os líderes nesta terça-feira (7) para questionar Lira.
Para o parlamentar, restringir a fala dos deputados que estão à distância é uma forma de facilitar a aprovação de matérias favoráveis ao governo.
“A oposição já é minoria e, da forma como foi feito, o ato terá mais dificuldade para participar, de obstruir. Na nossa avaliação, isso facilita a tramitação e aprovação dos projetos sem discussão”, avaliou.
Líder do PV, Enrico Misasi (SP) chamou a decisão de equivocada.
“Acho que já temos condições de retomar as agendas presenciais e aproveitar melhor as votações do primeiro semestre, até julho”. afirmou.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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