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SUVs vão matar os hatches? Presidente da Stellantis diz que não: ‘Não é uma tendência radical’

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Em exclusiva ao g1, Emanuele Cappellano, chefe do grupo para a América do Sul, diz que marcas não lucram mais com os utilitários e que há espaço para todas as carrocerias. Demanda por SUVs não é uma ‘tendência radical’
Em entrevista exclusiva ao g1, Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis na América do Sul, reconheceu a alta demanda por carros SUV no mercado brasileiro de zero km, mas disse que para a fabricante pouco importa o formato do veículo para a lucratividade da marca.
O mercado de carros no Brasil passou as últimas décadas dominado pelos hatches compactos, como Fiat Argo, Volkswagen Polo e Chevrolet Onix. Mas, desde 2020, os SUVs tornaram-se os mais desejados pelos consumidores brasileiros.
Naquele ano, os SUVs representaram 32,7% dos emplacamentos, enquanto os hatches corresponderam a 29,45% das vendas.
Hoje, já são 53% e este número pode subir, já que fabricantes passaram a lançar utilitários com preços mais agressivos, como é o caso do Volkswagen Tera, Citroën Basalt e Renault Kardian, além do Fiat Pulse.

Para Capellano, não é o formato da carroceria que aumenta ou diminui o retorno de investimento de um produto.
“Não existe hoje uma diferença de lucratividade relacionada a forma, o tamanho do carro. A lucratividade é muito relacionada a escala de produção, as tecnologias colocadas nos carros e a demanda. Então, não necessariamente ter um SUV [na gama] gera mais lucro do que um hatch”, disse o executivo.
“Existe uma demanda, mas não são tendências radicais. Então, não é algo como ‘não tem mais hatch e agora é tudo SUV’, ou ‘não tem mais SUV, agora é tudo picape’”, afirma.
Veja a entrevista na íntegra no vídeo abaixo.
Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis para a América do Sul, concede entrevista ao g1.
A seguir, clique nos links para assistir aos cortes com os principais destaques.
Carro popular depende do apoio do governo;
Stellantis vê previsibilidade no Brasil;
Citroën e Peugeot sofrem com poucos lançamentos.
Carro popular depende de apoio do governo
Carro popular depende de apoio do governo
O sonho de ter um carro próprio está cada vez mais difícil para muitos brasileiros. Em 2016, o Fiat Mobi na versão mais simples custava R$ 31.900. Hoje, o modelo mais básico da marca, o Fiat Mobi Like, é vendido por R$ 77.990, um aumento de 145%.
O avanço dos carros é notável, mas o bolso não tem acompanhado. O salário mínimo teve um aumento de apenas 72%, de R$ 880 para R$ 1.509. Pior, a parte que sobra dos salários após o pagamento do “básico”, como aluguel, luz, água, comida, transporte, caiu de 45% para 42% da renda do brasileiro, uma clara mostra da redução do poder de compra.
O aumento exorbitante não se deve apenas à inflação, que acumula 61,2% no período, mas também “ao crescimento dos custos de produção e à incorporação de novas tecnologias”, afirma Cappellano.
As tecnologias incorporadas que ajudaram a elevar o preço dos veículos, incluem airbags adicionais, freios ABS, controles eletrônicos de tração e estabilidade, novos sistemas de controle de emissões e motores com tecnologia mais eficiente.
Como parte destas tecnologias faz parte da legislação brasileira, Cappellano afirma que indústria e governo precisam melhorar a sinergia para que o “carro popular” realmente exista.
“A indústria pode trabalhar no que é básico do básico, para ser vendido no mercado, mas de fato a tecnologia mínima indispensável para cumprir com a lei e respeitar também coisas, como descarbonização, impõe necessariamente um aumento de custo”, diz o executivo.
“Deve ser uma combinação entre o esforço da indústria com um o esforço do governo, das instituições nesse sentido, mas objetivamente a tecnologia custa, e a produção custa. Então, deve ser um esforço conjunto”, diz o executivo.
“Qual é a melhor resposta que a indústria pode dar? É tentar alavancar a indústria brasileira. Porque é mais acessível [produzir aqui] e, dependendo menos de importações, a torna mais competitiva. [No Brasil,] temos um custo do trabalho um pouco menor que em outras regiões do mundo.
”A Stellantis, que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e RAM, anunciou em março de 2024 um investimento de R$ 30 bilhões entre 2025 e 2030, com o lançamento de 40 novos modelos. Não se espera, porém, que os modelos mais básicos fiquem mais acessíveis.
Pelo contrário, a Stellantis tem investido na diversificação da sua plataforma de veículos com tecnologia mais moderna de propulsão, para que os carros atendam às diferentes demandas de conjunto motriz.
“Na nossa visão, a tecnologia de híbrido leve (mild hybrid) ou pleno (HEV), são investimentos que tem uma demanda e utilização maiores. É por isso que a gente privilegia [este tipo de veículo]. De qualquer forma, do ponto de vista industrial, a escolha que a Stellantis fez foi a de adotar plataformas que são flexível na adoção de [diferentes] tecnologias.”
“A mesma plataforma pode adotar um mild hybrid, um HEV, um motor tradicional ou até a ser elétrico, mantendo a flexibilidade para atender ao consumidor brasileiro”, afirma Capellano.
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Stellantis vê previsibilidade no Brasil
Stellantis vê previsibilidade no Brasil
Segundo Cappellano, o Brasil oferece previsibilidade ao setor automotivo, impulsionada por programas de descarbonização com diretrizes já definidas para os próximos anos e, sobretudo, pelas metas de transição tecnológica.
Esses fatores levaram o grupo Stellantis a direcionar, em 2024, 93,75% de todo o investimento na América do Sul para o país — R$ 30 bilhões dos R$ 32 bilhões destinados à região.
Ele aponta que, mesmo com a alta da taxa de juros, atualmente fixada em 14,75%, nada muda para o ciclo de investimentos nem para a previsão de lançamento de veículos no Brasil.
“A razão para a Stellantis ter anunciado um investimento tão relevante é, na verdade, a previsibilidade. Além disso, toda a indústria anunciou um novo ciclo de investimentos no início do ano passado”, afirma.
Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis para a América do Sul, em entrevista ao g1.
Fábio Tito/g1
Cappellano destacou que o programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), do governo federal, auxiliou na previsibilidade mencionada por ele e solidificou a intenção da Stellantis de investir no país.
O plano de incentivo de longo prazo tem como objetivo impulsionar a pesquisa e desenvolvimento (P&D) no setor automotivo. Para isso, oferece créditos financeiros que variam de 50% a 320% do valor investido.
A promessa é de que, entre 2024 e 2028, o programa disponibilizará um total de R$ 19,3 bilhões em créditos, que poderão ser usados para abater tributos federais.
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Citroën e Peugeot sofrem por poucos lançamentos ok
Citroën e Peugeot sofrem por poucos lançamentos
A Stellantis controla duas marcas francesas, Citroën e Peugeot. Ambas já estiveram entre as empresas com os carros mais vendidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), mas não ficaram nem entre as 10 fabricantes com mais emplacamentos no Brasil em 2024.
Desde 2022, quando a Peugeot ficou na décima posição, as duas marcas não aparecem entre as 10 mais vendidas no Brasil. Cappellano destaca que fatores históricos e a falta de novos lançamentos têm dificultado a trajetória das marcas.
“Existe, claramente, uma visibilidade de marca que tem razões históricas. São marcas que têm uma presença menor, na consistência de lançamentos de produtos, mas a oferta para o cliente vai criar também um crescimento para essas marcas”, aponta o executivo.
Ele cita os lançamentos recentes de Peugeot 208 e 2008, e do Citroën Basalt. A ideia é driblar a má fama que as marcas francesas fixaram no mercado brasileiro sob a liderança da PSA, antes da fusão com a FCA e o surgimento da Stellantis.
A grande massa de consumidores ainda não tem noção que os carros das marcas francesas compartilham o mesmo conjunto motriz dos da Fiat e Jeep e o próprio Capellano reconhece: “é uma questão de tempo”.
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Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis para a América do Sul, em entrevista ao g1.
Fábio Tito/g1

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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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