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Política

‘Tarifas de Trump podem reduzir inflação no Brasil e ajudar Lula nas eleições’, diz Samuel Pessôa

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Lula deve chegar às eleições com economia em boa forma e tarifas de Trump não mudam esse quadro, diz Samuel Pessôa, economista do BTG Pactual e do FGV Ibre
Getty Images via BBC
De olho nas eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem incentivos para não retaliar as tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil e colher os frutos de uma inflação mais baixa no país, avalia o economista Samuel Pessôa, pesquisador do banco BTG Pactual e do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
“Do ponto de vista puramente do cálculo eleitoral, Lula tem um incentivo a não retaliar, porque, se ele não retaliar, tem aí uma desinflaçãozinha a médio prazo”, diz Pessôa, em entrevista à BBC News Brasil.
“A retaliação pode, eventualmente, ser um instrumento de barganha. Mas, se a gente se enxerga com pouco poder de barganha, do ponto de vista do interesse do bem estar brasileiro, é melhor não retaliar”, defende.
Para Pessôa, a perspectiva de desinflação no Brasil pouco muda com a possibilidade aventada pelo secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, na terça-feira (29/07), de que alguns produtos não cultivados nos EUA, como café e manga, possam ter a tarifa de importação zerada.
Em junho e antes do anúncio do tarifaço de Trump, o economista da FGV havia escrito em sua coluna semanal na Folha de S.Paulo que Lula deve chegar às eleições de 2026 com a economia em boa forma. Agora, mesmo com as tarifas, Pessôa avalia que a economia deve jogar a favor do petista na corrida eleitoral.
“Continuo com o meu cenário, que é um cenário de ‘pouso suave’. A economia vai desacelerar — esse ano deve crescer uns 2%, ano que vem deve crescer 1,5%, uma desaceleração com relação aos 3% de crescimento no biênio anterior”, calcula.
“Mas essa é uma desaceleração que não chega a machucar muito o mercado de trabalho. E, com as boas safras, a inflação de alimentos está cedendo. Eu acredito que as tarifas de Trump não mudam esse cenário.”
Para Pessôa, faz sentido o governo socorrer os setores mais afetados pelas tarifas através de um crédito extraordinário para além dos limites do arcabouço fiscal, ainda que isso piore a situação das contas públicas do país.
Mas, segundo o economista, é fundamental que essa política traga limites claros para seu término, evitando se tornar um “direito adquirido”.
“Tivemos recentemente o caso do Perse, programa desenhado para atender as empresas do setor de eventos, muito atingidas pela pandemia. Mas três anos depois do fim da pandemia, a gente estava discutindo no Congresso, até o ano passado, a manutenção do Perse. É uma coisa maluca”, afirma.
“No Brasil, a gente transforma tudo em direito adquirido rapidamente. Então, dada essa especificidade nossa, o cuidado maior no desenho desse programa é que a previsão do fim dele tem que estar muito clara.”
À BBC News Brasil, Pessôa comentou ainda o acordo entre Trump e União Europeia — ele considera que os europeus “ajoelharam no milho” frente ao americano.
E explicou por que o presidente chinês, Xi Jinping, pode ser mais duro nas negociações com Trump do que seus pares de países democráticos; além de discordar respeitosamente do Nobel de Economia Paul Krugman, que em entrevista recente à BBC News Brasil, defendeu que o Brasil tem pouco a perder retaliando Trump.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
‘Acredito que Lula chega no ano que vem, nas vésperas da eleição, com uma economia em bom estado’, prevê Samuel Pessôa, do BTG Pactual e do FGV Ibre
Divulgação/FGV
BBC News Brasil – Num texto recente, o senhor falou que as tarifas de Trump podem ter efeito positivo para a inflação no Brasil, se Lula não retaliar. Como se daria esse efeito?
Samuel Pessôa – É assim: o Trump aumentou a tarifa dos produtos que nós exportamos para os Estados Unidos, por exemplo, laranja e café. Isso significa que a laranja e o café ficarão mais caros na mesa do consumidor americano. Aí eles vão comprar menos.
A gente vai acabar exportando menos laranja e café para os Estados Unidos. Exportando menos, vai sobrar mais laranja e café para o mercado doméstico.
Uma parte dessa laranja e café que não irá para os EUA, a gente direciona para outros mercados, mas uma parte fica aqui dentro do país, pressionando o preço um pouquinho para baixo. É isso.
BBC News Brasil – Mas esse efeito é certo? Por exemplo, as exportações de carne para os EUA já recuaram 80% desde abril, quando as tarifas de 10% entraram em vigor. E não vemos queda significativa na inflação de carnes no IPCA até agora. Por que esses preços não estão caindo, se em tese já há mais oferta no mercado interno?
Pessôa – Na verdade, a carne deu uma aliviada boa, porque achávamos que ela iria aumentar de preço mais do que aumentou [durante a entressafra, período em que a oferta de animais para abate diminui, devido à seca e falta de pasto].
Evidentemente, essas coisas são multifatoriais. Sabemos que o inverno está sendo menos seco do que normalmente é e tem tido mais pastagem, então o preço da carne também não está subindo por conta de um choque de oferta positivo.
Mas deve ter tido um impacto sim da menor demanda pelos americanos para nossa carne no preço da carne brasileira.
Agora, você tem um ponto, que é: tanto café, quanto laranja, quanto carne são commodities. Têm um preço internacional. Então esse efeito de deflacionar aqui dentro pode ser um pouco menor.
Por quê? Porque o mercado é internacional. Se os Estados Unidos vão comprar menos carne [do Brasil], podem comprar mais carne de algum outro fornecedor. E quem iria comprar desse outro fornecedor, compra da gente. E aí o preço internacional não muda tanto.
Então, eu acredito que o efeito deflacionário será maior no suco de laranja, porque o peso do mercado americano é muito grande [os EUA importam cerca de 90% do suco que consomem, sendo o Brasil responsável por 80% desse total]. Mas, no café e na carne, também deve ter um efeito importante.
É que daí, como a formação do preço de um produto é sempre multifatorial, tem várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. E a gente fala assim: “Ah, o preço da carne não caiu”.
Mas eu não tenho que comparar o preço da carne hoje com o preço da carne ontem. Eu tenho que comparar o preço da carne hoje com o preço que a carne hoje teria se não tivesse havido as tarifas americanas. E é possível que a carne aumentasse de preço por uma série de fatores.
A gente nunca compara o presente com o passado. Sempre comparamos o presente com outro presente que aconteceria se aquele fator não estivesse atuando. A discussão é complexa mesmo.
BBC News Brasil – E esse efeito relativamente positivo não é limitado ao curto e médio prazo? Num segundo momento, as empresas não devem ajustar a produção, reduzindo investimentos e empregos, o que teria um impacto negativo para a economia?
Pessôa – Nisso você está inteiramente correta. A médio prazo, é muito ruim. Sabemos que abertura da economia, comércio internacional, são coisas boas.
Ou seja, se o Trump toma uma medida que vai fechar o comércio, é ruim para o mundo todo. É ruim para o consumidor americano, é ruim para o Brasil, é ruim para o mundo todo.
Então, a minha afirmação [de que as tarifas podem reduzir a inflação no Brasil] foi no sentido de que, primeiro, do ponto de vista puramente do cálculo eleitoral do Lula, ele tem um incentivo a não retaliar, porque, se ele não retaliar, tem aí uma desinflaçãozinha a médio prazo.
Estamos a um pouco mais de um ano das eleições. Isso pode ajudar eleitoralmente o presidente Lula.
Mas tem também a ideia de que comércio internacional é sempre bom e mesmo aberturas unilaterais são boas. E, portanto, se um presidente de uma outra nação parceira nossa resolve aumentar tarifas de importação, a gente não vai ganhar retaliando.
A retaliação pode, eventualmente, ser um instrumento de barganha. Mas se a gente se enxerga com pouco poder de barganha, do ponto de vista do interesse do bem estar brasileiro, é melhor não retaliar.
BBC News Brasil – O governo disse que já há um plano emergencial pronto para apoiar os setores impactados pela tarifa de 50%. O que devemos evitar nesse programa, na sua visão?
Pessôa – O mais importante é o programa ter regras claras de término. Temos que desenhar o programa pensando no fim dele.
Isso é particularmente importante. Porque, no Brasil, você faz alguma coisa, aquilo vira direito adquirido com a maior facilidade.
Tivemos recentemente o caso do Perse, que foi aquele programa desenhado para atender as empresas do setor de eventos, muito atingidas pela pandemia. Mas, três anos depois do fim da pandemia, a gente estava discutindo no Congresso, até o ano passado, a manutenção do Perse. É uma coisa maluca.
A mesma coisa com a desoneração da folha de salários [isenção fiscal para alguns setores da economia da contribuição patronal para a Previdência, criada em 2011 por Dilma Rousseff e que nenhum governo conseguiu reverter desde então].
Então, no Brasil, a gente transforma tudo em direito adquirido rapidamente. Não é assim em todo lugar do mundo, mas no Brasil é assim. Então, dada essa especificidade nossa, o cuidado maior no desenho desse programa é que a previsão do fim dele tem que estar muito clara.
BBC News Brasil – O financiamento dessas medidas, se feito por meio de crédito extraordinário extrateto, adiciona pressão à situação fiscal do país?
Pessôa – Adiciona. Temos um problema fiscal estrutural, que não está solucionado.
Ele apareceu com mais clareza em 2014, houve alguma melhora até 2021 e, a partir de 2022, voltamos a piorar o fiscal e estamos piorando o fiscal desde então.
BBC News Brasil – Mas o senhor acredita que esse socorro é necessário, apesar dessa piora fiscal?
Pessôa – Eu acho que, para aqueles setores muito afetados — por exemplo, laranja —, é necessário ter alguma coisa.
Entendo fazer por crédito extraordinário esse ano só, com uma cláusula de saída bem clara. Acho que é do jogo.
PIB do Brasil pode perder até R$ 175 bilhões com tarifa de 50% de Trump, diz estudo
BBC News Brasil – Numa entrevista recente à BBC News Brasil, o [ganhador do Prêmio] Nobel de Economia Paul Krugman disse que as chances de fazer Trump recuar são maiores para os países que reagem, do que para os que oferecem concessões. Você concorda com essa avaliação? Avalia que o Brasil deve reagir de alguma forma?
Pessôa – Olha, quem sou eu para discordar do Krugman. Um dos maiores profissionais de economia em atuação no mundo. O cara é um gênio, eu estudei nos textos dele.
É um cara que tem contribuições seminais em pelo menos três áreas. E ele ganhou o Nobel pelas contribuições dele em uma dessas áreas [em 2008, nos campos do comércio internacional e da geografia econômica].
Mas, se o que ele está sugerindo é que o Brasil deveria retaliar, por exemplo, pondo tarifas de 50% nas nossas importações dos EUA, eu vou ter que discordar do Krugman. Porque acho que isso não se aplica ao Brasil.
O Brasil é um país que é grande o suficiente para ser interessante para o Trump nos atacar do ponto de vista retórico. Mas nós somos pequenos o suficiente a ponto de que o nosso poder de barganha, de machucar os Estados Unidos, é pouco.
Vimos nesta semana a União Europeia ajoelhar no milho para Trump. Então, a União Europeia avaliou que era melhor não retaliar.
Eu acredito que temos que traçar uma linha. E aí, é uma linha muito clara: aqueles temas que dizem respeito à nossa soberania, não dá para a gente negociar. E aí, se Trump quiser impor um custo sobre nós, vamos ter que nos haver com isso.
Vamos ter que absorver internamente esse custo e distribuir entre nós. Uma forma é exatamente o governo [criar um programa de socorro] com crédito extraordinário, que vai bater na dívida pública. A dívida pública é uma forma de você diluir sobre toda a sociedade os custos para atender esse ou aquele setor que foi mais atacado.
Mas, tirando as questões em que a nossa soberania está claramente sendo atacada pelo Trump e que são, portanto, inegociáveis, eu acredito que retaliar generalizadamente e comercialmente é pouco produtivo para nós.
Mas isso não quer dizer que a gente não possa fazer nada nesta área.
Por exemplo, na aviação, temos tarifa zero sobre importação de aviões e a gente importa muitos Boeings. Então, talvez nesse item a gente possa discutir. E dizer: se vocês mantiverem 50% nos Embraer, a gente pode usar menos Boeing e começar a usar só Airbus [aviões produzidos pela fabricante francesa de mesmo nome].
Então, pontualmente, de uma forma inteligente, podemos ter um ou outro setor em que faça sentido uma negociação um pouco mais dura. Mas revidar em todos os itens, na mesma moeda, eu acho que não é produtivo.
BBC News Brasil – O Brasil poderia seguir um caminho como o da União Europeia e tentar buscar uma tarifa mais baixa?
Pessôa – Eu acredito que sim. Mas não sei qual é a possibilidade disso, porque, de fato, as demandas do Trump sobre o Brasil extrapolam a área comercial.
Então, realmente, não tem muito o que a gente fazer. Não faz sentido que o Supremo Tribunal Federal mude seus procedimentos porque o presidente americano assim o deseja. Não vamos desfazer o PIX, porque ele não gosta do PIX.
Mas acho que tem um certo tom bravateiro do presidente Lula e de setores do Executivo nacional. De ficar falando: ‘Vamos acabar com a dominância do dólar’, ficar criticando publicamente o Trump. E não parece que é produtivo para o país esse tipo de coisa.
Mesmo o Xi [Jinping], que é o presidente da China, um país que tem o tamanho econômico dos Estados Unidos mais ou menos, você não vê ele agredindo o Trump publicamente ou falando ‘vamos acabar com o dólar’.
Então, essa coisa de ficar falando para a militância, uma hora a conta vem. Eu acredito que temos que mudar isso. O Lula tem que mudar o tom dele.
BBC News Brasil – E como o senhor avalia as negociações já realizadas entre EUA e outros países?
Pessôa – Olha, a literatura de comércio internacional diz que, no caso de haver uma guerra comercial aberta, o país que menos perde — em termos de perda de bem estar [da população] — é os Estados Unidos. E o país que mais perde é a China. Isso é o que dizem os modelos quantitativos, com suas limitações.
O Trump viu essa literatura e resolveu exercer esse poder de barganha. Mas esse ônus só vale em democracias, porque a perda de bem estar é uma ameaça razoável para uma democracia.
Para o Xi [Jinping], o Trump já perdeu, porque o Xi é ditador e pode impor perdas de bem estar sobre a sua sociedade. Ele não tem eleição ano que vem e, portanto, esse ônus não se materializa, em função do regime político chinês.
Nos outros países [democráticos], não. E o que temos visto é que o Trump está conseguindo negociar vantajosamente, como a teoria diria, porque ele tem mais poder de barganha.
BBC News Brasil – Temos visto reações de empresas americanas contra as tarifas ao Brasil, com ações judiciais e declarações públicas de associações empresariais criticando a medida. O setor privado americano pode ser um parceiro do Brasil para tentar reduzir o tarifaço?
Pessôa – Claro, o setor privado americano é um parceiro super importante.
Eu não sou especialista no tema, mas em sua coluna na Folha de S.Paulo, o Mangabeira Unger, que é professor da Escola de Direito de Harvard, coloca que essas tarifas vão cair. Elas devem ser rejeitadas pelo Supremo Tribunal Federal americano nos próximos meses. Elas são ilegais.
Então, acredito que temos que usar todos os nossos parceiros, principalmente o setor privado americano, que vai perder com essas tarifas, como nossos aliados.
Evidentemente, sem bravata, sem fanfarronice, de uma forma moderada, mas firme, na defesa dos interesses brasileiros. E, nesse caso, defender os interesses brasileiros é defender o interesse da economia mundial.
BBC News Brasil – Em junho, antes do anúncio das tarifas por Trump, o senhor escreveu que Lula poderia chegar em outubro de 2026 com a economia em boa forma. Sua avaliação mudou de lá para cá? O que espera agora para o estado da economia às vésperas das próximas eleições?
Pessôa – Olha, eu continuo com o meu cenário, que é um cenário de “pouso suave”. A economia vai desacelerar — esse ano deve crescer uns 2%, ano que vem deve crescer 1,5%, uma desaceleração com relação aos 3% de crescimento no biênio anterior [2023 e 2024].
Mas essa é uma desaceleração que não chega a machucar muito o mercado de trabalho, não chega a gerar desemprego muito elevado. E, com as boas safras, a inflação de alimentos está cedendo.
Eu acredito que as tarifas de Trump não mudam muito esse cenário. Então, continuo avaliando que, do ponto de vista da economia, Lula não chegará mal [às eleições].
Sabemos, no entanto, que será um pleito eleitoral disputadíssimo. Temos diversas agendas novas, o país está cheio de evangélicos, que têm um posicionamento político mais claro. Além disso, as últimas eleições não têm sido fáceis para nenhum incumbente em qualquer lugar do mundo.
Mas do ponto de vista da economia, eu acredito que o Lula chega no ano que vem, nas vésperas da eleição, com uma economia em bom estado. Se isso será suficiente ou não para a reeleição dele, é um tema que eu tenho dificuldade de opinar.
Mas, considerando apenas a dinâmica econômica, eu acredito que ele chegará bem e avalio que as tarifas não mudam essa realidade.

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Política

Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda

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A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.

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Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja

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Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).

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Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado

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Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP

O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).

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