Economia
Transformando adversidades em oportunidades: como sair das dívidas e crescer financeiramente através do empreendedorismo
Roberta Lasnaux conta como lidou com uma situação difícil durante a pandemia, quando acumulou dívidas e quase perdeu seus negócios, mas deu a volta por cima. IF
Divulgação
A pandemia impôs desafios enormes aos empreendedores. Muitos deles chegaram perto da falência. Outros realmente faliram quando as medidas de isolamento social foram impostas. Esse foi o caso de Roberta Lasnaux, dona de uma bem estabelecida agência de eventos e viagens que, no início de 2020, viu todos os seus projetos serem cancelados. Para se manter de pé, Roberta chegou a acumular dívidas, mas foi na mesma capacidade de empreender que encontrou sua solução: fundou a Pipooh, empresa que faz chá de fraldas na modalidade on-line. Como ela fez isso? É o que conta nesta entrevista.
1. Você tinha uma empresa de sucesso que teve todos os seus contratos rescindidos em 2020 por conta da pandemia. Como isso aconteceu?
Eu tinha uma empresa de eventos e viagens que estava em crescimento. Tínhamos vários projetos fechados para o ano de 2020. Nós começamos a escutar alguns burburinhos sobre a possível pandemia, mas no início não acreditávamos. Quando, em março daquele ano, começou o lockdown, junto dele vieram os cancelamentos de todos os projetos. Eu fiquei em desespero, chorei muito. Fiquei com a sensação de que, em poucos dias, tinha perdido tudo o que eu construí durante anos.
2. Em algum momento, chegou a pensar em desistir de empreender? O que te motivou a seguir em frente?
Eu empreendo há 14 anos, desde os 21 anos de idade. Como empreendedor, você é sempre dono da sua vida. Isso é maravilhoso, mas, ao mesmo tempo, você não tem nenhuma segurança. Então, quando as coisas ficam mais difíceis, você às vezes pensa que a melhor alternativa é arrumar um emprego. Já fiz isso algumas vezes, mas meu coração e minha mente sabem que é provisório. O que me motiva a continuar empreendendo é poder resolver problemas e criar ideias.
3. Neste processo de declínio de sua antiga empresa, você chegou a acumular dívidas? Se sim, como lidou com isso?
Sim. Empreender é ter muitos altos e baixos financeiros, é assumir determinados riscos e pagar por eles. Num primeiro momento, tivemos que obter algumas dívidas, já que a empresa ficou quase dois anos sem faturamento. Foi parte do processo. Diante deste cenário, busquei me reinventar, fazendo tudo que era necessário, investindo e cortando despesas, para nos manter de pé.
Roberta Lasnaux
Maurício Burim
4. Os problemas com a sua última empresa mudaram sua visão sobre a administração financeira dos seus empreendimentos?
Mudaram muito. Eu sempre fui propensa a riscos, mas depois da pandemia eu me tornei mais conservadora. Esse período me deixou uma cicatriz muito grande e mostrou ainda mais o quanto é importante você ter controle de absolutamente tudo na empresa, sobretudo na parte financeira. Aprendi a importância de evitar certos riscos e de sempre cortar gastos desnecessários.
5. Quando e como você decidiu seguir empreendendo, abrindo a Pipooh?
Empreender é o que eu amo fazer: criar ideias. A Pipooh surgiu de uma ideia que eu já tinha há algum tempo, de atender uma demanda que identifiquei quando virei mãe. Mesmo sabendo que a Pipooh não seria lucrativa de imediato, resolvi tirar a ideia do papel. Creio que fiz isso no momento certo, já que a empresa era 100% digital e se inseria no segmento de eventos on-line. Tenho para mim que é nos momentos de dificuldade que surgem os grandes projetos. Quando estamos na zona de conforto, deixamos passar muitas oportunidades.
6. Para começar seu novo negócio, você usou linhas de crédito? Acha que essas modalidades são recomendáveis para quem quer começar a empreender?
Não utilizei. Utilizei uma reserva que eu tinha. Acredito que há dois casos. Para empresas bem consolidadas, linhas de crédito podem ser uma boa opção. Para novas empresas, porém, em que o empreendedor não tem firmeza nos dados, no plano de negócio ou ainda uma validação, eu não acredito que seja recomendável. As linhas de crédito demandam desembolsos mensais, com juros. Eu já fiz isso e deu muito errado, então eu não recomendo.
7. Em sua trajetória de superação, o que você diria que foi mais importante: o conhecimento técnico, adquirido na graduação e MBAs, ou o conhecimento prático?
Sempre gostei de estudar muito, de fazer cursos. E é claro que o conhecimento prático é importante para saber lidar com as situações reais. Então o melhor é juntarmos essas duas coisas. Para isso, é importante entender que tudo que é colocado como uma teoria tem que ser entendido junto com as particularidades do seu negócio. São formas que já foram testadas, conceitos que já foram aplicados e temos que ter capacidade de entender, para então, modificar e transformar.
8. Olhando para trás, há algum erro que você cometeu e do qual extraiu algum aprendizado?
Foram muitos, mas só sabemos que é um erro quando tentamos. Cometi erros em contratações, em comportamento de liderança, na aquisição de financiamento em momentos errados. Quem empreende se dá o direito de errar. O bom empreendedor sabe assumir esses erros, aprender com eles e levantar a cabeça para fazer diferente da próxima vez.
9. Você acredita que o empreendedor que está começando deve formar uma reserva financeira em seu negócio, considerando possíveis imprevistos ou oportunidades?
Sim, sempre. Quando o empreendedor não tem uma reserva financeira – e eu já passei por isso algumas vezes – você entra em desespero e não tem tempo de aprender, porque o negócio não tem fôlego. E aí, muitos desistem, antes de efetivamente testar o próprio negócio. Imprevistos e oportunidades sempre vão acontecer, então a reserva é importante para estar preparado para estes momentos. Isso não quer dizer que é necessário muito dinheiro para começar um negócio, mas é preciso ter alguma reserva.
10. Há algum livro em particular que te inspirou na sua jornada, em especial ao dar a volta por cima?
Sim, tem o que eu amo muito e sempre falo sobre que é “Pai Rico, Pai Pobre”, de Robert Kiyosaki. Nele eu me descobri, descobri o que me motiva e quem eu sou. Esse livro me inspirou muito. Há um outro, “A Startup Enxuta”, de Eric Ries, que também foi muito importante na minha carreira.
11. À luz de tudo que você já viveu, o que você compreende ser o “sucesso”?
Sucesso para mim não é ter dinheiro. Sucesso para mim é ter autoconhecimento, ser capaz de entender aquilo que você é, aquilo que efetivamente te motiva e o que você quer ser. Viver a vida exatamente da forma que você almeja sempre. É ter paz, clareza e seguir seus princípios com muita disciplina.
12. O que você diria para alguém que passa pela mesma dificuldade em que você esteve três anos atrás e quer se tornar um empreendedor de sucesso?
O que eu diria é: tenha força, seja persistente e não espere as coisas caírem do céu. Arregace as mangas e trabalhe muito. Pense fora da caixinha, não seja apenas mais um, não faça o mesmo que todo mundo já faz. E isso não quer dizer que você precisa ter uma ideia brilhante. Existem várias maneiras de se diferenciar no mercado. O importante é ser transparente com seu cliente e cobrar aquilo que é efetivamente justo. Em resumo: acredite em você.
13. Finalmente, complete: para você, inteligência financeira é…
Saber aplicar o dinheiro corretamente no caminho que você almeja, naquilo que está alinhado aos seus propósitos. Pessoas podem ganhar o mesmo salário, mas terem vidas totalmente diferentes. Se uma delas gasta seu dinheiro sem qualquer consciência, sem planejamento, ela sempre terá a sensação de que não consegue conquistar nada. É preciso alocar os seus recursos naquilo que te faz bem.
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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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