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Economia

Trump tentou aplicar tarifas ao aço e alumínio brasileiros no primeiro mandato; veja como foi

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Presidente dos Estados Unidos chegou a anunciar taxas para os produtos brasileiros em 2018, 2019 e 2020, mas as tarifas foram retiradas. Trump diz que vai impor tarifa de 25% sobre importação de aço e alumínio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu anunciar tarifas para todas as importações de aço e alumínio no país nesta segunda-feira (10), o que pode atingir em cheio um dos principais produtos de exportação do Brasil.
Trump foi eleito com a promessa de priorizar a indústria norte-americana, e anunciou neste domingo (9) que pretende impor uma taxa de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos EUA. Essa medida encarece os produtos importados e tende a favorecer o material produzido internamente.
Segundo o Departamento do Comércio dos EUA, cerca de 25% do aço e 50% do alumínio utilizados no país são importados. O Brasil é um dos principais fornecedores.
📈 Em 2024, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, em volume, segundo dados do Departamento de Comércio americano, atrás apenas do Canadá.
📈 Em 2023, os EUA compraram 18% de todas as exportações brasileiras de ferro fundido, ferro ou aço, segundo o governo brasileiro.
Essa não é a primeira vez que Trump tenta taxar o aço e o alumínio importados para os EUA. Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, ele criou tarifas e outras restrições para a importação desses produtos, mas todas foram posteriormente retiradas.
Veja a retrospectiva, e como o Brasil entrou na história:
Em março de 2018, os EUA impuseram uma taxa de 25% sobre todas as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio;
O governo americano decidiu excluir Canadá e México, dois dos maiores fornecedores dos EUA, dessas tarifas e permitiu que outros países solicitassem inclusão em uma lista de exceção;
O Brasil fez o pedido e foi aprovado. Os EUA criaram um esquema de cotas para as exportações brasileiras;
O esquema de cotas permitia que produtos de aço ou alumínio semiacabados (usados como insumos para outras produções) fossem exportados até atingir um volume equivalente à média das exportações de 2015 a 2017;
Para os produtos acabados, o limite de exportação era 30% menor que a média das exportações do mesmo período;
Em agosto de 2018, as regras para a compra de aço foram flexibilizadas, permitindo que empresas americanas comprassem matéria-prima brasileira se comprovassem falta de oferta do produto nos EUA;
Em dezembro de 2019, Trump acusou o Brasil de desvalorizar o real para estimular a compra de produtos brasileiros e prometeu reinstaurar as taxas de 25% e 10% sobre aço e alumínio, respectivamente;
Dias depois, o então presidente Jair Bolsonaro afirmou que conversou com Trump e que os EUA desistiram de sobretaxar o aço e alumínio brasileiros;
Em agosto de 2020, Trump restringiu ainda mais as cotas de exportação dos produtos brasileiros para os EUA, reduzindo-as em cerca de 80%;
Nos últimos meses do governo Trump, em outubro de 2020, o presidente decidiu elevar as tarifas sobre as chapas de alumínio importadas do Brasil de 15% para 145%, alegando que as empresas brasileiras estavam vendendo produtos abaixo do custo para eliminar a concorrência americana;
Em julho de 2022, já sob o governo de Joe Biden, o Ministério da Economia e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciaram que os EUA revogaram as medidas restritivas remanescentes da era Trump contra as exportações brasileiras.
Presidente dos EUA, Donald Trump, fala no avião presidencial, neste domingo (9).
Kevin Lamarque
Ameaça tarifária
Como mostrou o g1 em dezembro, a ameaça de taxação é uma estratégia antiga e conhecida de Trump para tentar vantagens em negociações bilaterais. Por isso, o governo e o setor estão em compasso de espera.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (10) que o governo vai esperar “decisões concretas” do presidente Trump antes de anunciar qualquer resposta a um eventual aumento de tarifas.
“O governo tomou uma decisão de só se manifestar oportunamente com base em decisões concretas, não em anúncios que podem ser mal interpretados, revistos. Então, o governo vai aguardar a decisão oficialmente, antes de qualquer manifestação”, afirmou Haddad.
No fim de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia dito que, se o governo dos EUA criasse ou elevasse qualquer tarifa sobre produtos brasileiros, haveria “reciprocidade” — ou seja, aumento da taxação o Brasil para importar produtos norte-americanos.
O Instituto Aço Brasil, que representa as siderúrgicas brasileiras, foi procurado pelo g1, mas não comentou a nova medida. No primeiro mandato de Trump, o grupo afirmou que a taxação levaria ao desligamento de fornos e demissões.
Também procurada, a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) não se manifestou.

Em entrevista à GloboNews, o economista e professor da FGV EESP, Bernardo Guimarães, afirma que um anúncio oficial sobre essas tarifas pode nem ocorrer ou vir com regras diferentes, devido à reação da indústria nacional dos EUA e ao histórico de desempenho do setor em outros momentos de taxação do aço.
Antes de Trump, em 2002, o então presidente George W. Bush também impôs tarifas sobre as importações de aço e alumínio, alegando que os países exportadores estavam praticando preços abaixo do custo, prejudicando a concorrência com as empresas americanas.
No entanto, o resultado não foi o fortalecimento da indústria americana. Um estudo do economista Joseph Francois, em parceria com a pesquisadora Laura M. Baughman, mostrou que houve mais desemprego nas indústrias que importavam aço para produzir outros produtos do que geração de novas vagas na indústria de produção de aço.
Tarifaço de Trump pode ter impacto razoável na economia brasileira, segundo economista
Além disso, os preços mais altos devido às tarifas pressionaram a inflação e colocaram as empresas americanas em desvantagem em relação às companhias de outros países do mesmo setor.
“Quando você coloca tarifa, as cadeias globais de suprimento — quem compra de quem, quem vende para quem — vão se reorganizando. Na hora que tira a tarifa, quem exportava para o mercado americano já está exportando para outro mercado e já não é tão fácil comprar aquele aço. A indústria que comprava o aço demora muito para se reerguer”, comenta Guimarães, da FGV.
Por isso, o economista acredita que Trump pode “pegar mais leve” com os planos de taxação sobre esses produtos.
Se a tarifação se concretizar conforme antecipado pelo presidente, o Brasil poderia sofrer, pelo menos por um período. O desafio para o país, segundo Guimarães, é encontrar novos parceiros comerciais que supram a necessidade das siderúrgicas brasileiras.
O economista também destaca que a China, embora produza muito aço, também demanda bastante do produto, e que as relações de comércio exterior tendem a se acomodar, mesmo com uma mudança drástica.
Por enquanto, as siderúrgicas brasileiras parecem não sentir tanto o impacto da possível taxação. Até o início da tarde do pregão desta segunda-feira, as ações da Gerdau e da CSN, duas das principais exportadoras de aço do país, operavam em alta.

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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