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Política

Veja os principais pontos dos quatro depoimentos que colocam Bolsonaro no centro da tentativa de golpe

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Ex-comandantes do Exército e da Aeronáutica, ex-general do Exército e presidente do PL depuseram à PF indicando participação ativa de Bolsonaro no esquema. Freire Gomes afirma, em depoimento, que Jair Bolsonaro tratou de minutas golpistas em reuniões com a cúpula militar
Depoimentos à Polícia Federal (PF) de militares e civis sobre a suposta tentativa de golpe de Estado com o objetivo de manter Jair Bolsonaro (PL) no poder após perder as eleições de 2022 mostraram que o ex-presidente conduziu reuniões com os comandantes das Forças Armadas para discutir a “legalidade jurídica” do tema e apresentar documentos com teor golpista.
Os depoimentos colocam Bolsonaro no centro da trama golpista.
O sigilo dos depoimentos foi derrubado na sexta-feira (15) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do caso, sob o argumento de que diversos trechos já haviam sido divulgados pela imprensa.
Quatro ouvidos pela PF falaram nos depoimentos: o ex-comandante do Exército Freire Gomes, o ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Jr., o general da reserva Theophilo de Oliveira e o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto.
Bolsonaro, o candidato à vice-presidência pelo PL, Braga Netto, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos recorreram ao direito constitucional de permanecer em silêncio durante o depoimento. Para não responder a questionamentos, depoentes alegaram que não tinham tido acesso à íntegra dos processos.
Veja a lista completa dos que ficaram em silêncio:
Ailton Gonçalves Moraes Barros
Almir Garnier Santos
Amauri Feres Saad
Angelo Martins Denicoli
Felipe Garcia Martins Pereira
Helio Ferreira Lima
Jair Messias Bolsonaro
José Eduardo de Oliveira e Silva
Marcelo Costa Câmara
Mario Fernandes
Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira
Rafael Martins de Oliveira
Walter Souza Braga Netto
Ronald Ferreira de Araujo Junior
Augusto Heleno
Os relatos afetam a estratégia de defesa do ex-presidente. Bolsonaro, inicialmente, dizia que não tinha conhecimento das minutas. Depois, passou a dizer que a decretação de estado de defesa no TSE para sustar a eleição (como previa o documento), é permitida pela Constituição. No entanto, os relatos dos militares mostram que não havia motivo legal para esse estado de defesa, e que a única intenção era mesmo o golpe de Estado.
Nesta reportagem, você vai ver os principais pontos dos depoimentos de:
Freire Gomes
Baptista Jr.
Theophilo de Oliveira
Valdemar Costa Neto
Freire Gomes
Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército
GloboNews/Reprodução
O ex-comandante do Exército Freire Gomes disse à PF que se negou a participar da trama golpista, apesar da forte pressão sofrida para aderir ao plano. O general falou na condição de testemunha, e não de investigado. Ele depôs à PF no dia 1º de março de 2024 por mais de 7 horas.
Freire Gomes esteve presente em duas reuniões que trataram da minuta golpista. Em 7 de dezembro de 2022, uma versão do documento que previa o “estado de sítio dentro das quatro linhas” foi apresentada em uma reunião no Palácio do Alvorada, da qual participaram os três comandantes das Forças Armadas. Outra versão do documento foi apresentada em um segundo encontro de Bolsonaro com os três comandantes — Freire Gomes disse em depoimento não se lembrar da data.
A PF também identificou mensagens de Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro, para Freire Gomes. Nelas, Cid fala sobre os manifestantes pró-Bolsonaro e o que chamava de “pressão” sobre o ex-presidente para que ele tomasse “uma medida mais radical”.
Gomes confirmou ter participado de reuniões no Palácio da Alvorada nas quais Bolsonaro manifestou interesse em uma ruptura institucional e afirmou ter se negado a colaborar com a tentativa de golpe.
Na reunião de 7 de dezembro, uma versão mais abrangente do documento que levaria ao golpe de Estado foi apresentada e discutida com a anuência de Bolsonaro. Freire Gomes, porém, afirma ter deixado claro que “o Exército não aceitaria atos de ruptura institucional”.
Veja o trecho:
[Freire Gomes] respondeu que se recorda de ter participado de reuniões no Palácio do Alvorada, após o segundo turno das eleições, em que o então Presidente da República Jair Bolsonaro apresentou hipóteses de utilização de institutos jurídicos como GLO, Estado de Defesa e Estado de Sítio em relação ao processo eleitoral e que sempre deixou evidenciado ao então Presidente da República Jair Bolsonaro, que o Exército não participaria na implementação desses institutos jurídicos visando reverter o processo eleitoral.
Estado de Sítio, de Defesa, GLO: entenda o que diz a Constituição sobre termos que apareciam em reuniões sobre golpe
Por ter se negado a participar de um golpe de Estado, Gomes disse ter sofrido ataques de apoiadores do ex-presidente envolvidos no caso, incluindo o ex-ministro da Defesa, general Braga Netto.
Em 14 de dezembro, uma semana após Gomes negar participar do golpe de Estado, Braga Netto trocou mensagens com o militar da reserva, Ailton Gonçalves Moraes Barros, classificando a postura de Gomes como uma “omissão” e uma “indecisão”.
Indagado se o trecho da mensagem encaminhada pelo general Braga Netto no qual afirma: ‘a culpa pelo que está acontecendo e acontecerá é do general Freire Gomes. Omissão e indecisão não cabem a um combatente’, se deve ao fato de o depoente, na condição de Comandante do Exército, ter se negado a anuir com o plano de ruptura institucional, respondeu que sim.
O ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Jr., foi citado por Gomes em seu depoimento. De acordo com o relato, ele e Baptista deixaram evidente que eram contrários à tentativa de golpe.
Que da mesma forma, o depoente e o Brigadeiro Baptista Junior, como comandantes, se posicionaram contrários às medidas constantes na minuta de decreto [mais abrangente], que impediria a posse do governo eleito.
Carlos de Almeida Baptista Jr.
Novo comandante da Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro do ar Carlos Baptista Junior
CECOMSAER/Divulgação
Baptista Jr. assumiu o comando da aeronáutica em abril de 2021 durante uma crise no governo Bolsonaro quando, pela primeira vez desde a redemocratização, os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica deixaram os cargos ao mesmo tempo, fora do período de troca de governos.
O ex-comandante esteve presente em reuniões no Palácio do Planalto nas quais se discutiram formas de conferir legalidade ao plano golpista.
Em depoimento à PF, afirmou que Freire Gomes ameaçou prender Bolsonaro caso tentasse consumar o golpe de Estado e que listou os atos contra a democracia que o levariam a ter que prender o ex-presidente.
Veja o trecho:
“[Afirmou] que em uma das reuniões dos comandantes das Forças com o então presidente após o segundo turno das eleições, depois de o presidente da República, Jair Bolsonaro, aventar a hipótese de atentar contra o regime democrático, o então comandante do Exército, general Freire Gomes, afirmou que caso tentasse tal ato teria que prender o presidente da República.”
Assim como Gomes, Baptista Jr. relatou ter deixado evidente que não toparia participar de nenhum plano golpista, e que não haveria qualquer hipótese de Bolsonaro permanecer no cargo.
Ele também contou que “ouviu” sobre a existência de uma ordem para atrasar a divulgação de um relatório, feito pelo Ministério da Defesa, que atestava a lisura das urnas eletrônicas, nas eleições de 2022.
Baptista Jr. também afirmou que o grupo recebeu da cúpula do governo Bolsonaro várias teses de fraudes no sistema eletrônico de votação, mas que todas foram rechaçadas pela comissão.
Estevam Theophilo Gaspar de Oliveira
O general 4 estrelas Estevam Theophilo Gaspar de Oliveira em cerimônia de transmissão do cargo de Comandante de Operações Terrestres em 1º de dezembro de 2023.
Comunicação Social do Comando de Operações Terrestres
Theophilo de Oliveira foi comandante do Comando de Operações Terrestres (Coter) entre o final de março de 2022 até o final de novembro de 2023. A unidade fica em Brasília e não tem nenhuma tropa subordinada diretamente a ela.
De acordo com as investigações, em 9 de dezembro de 2022, Theophilo se reuniu com Bolsonaro no Alvorada e supostamente consentiu com a adesão ao golpe de Estado desde que o presidente da República assinasse a medida, conforme conversas encontradas no celular do ajudante de ordens Mauro Cid.
Em seu depoimento à PF, disse que não tinha “qualquer relação pessoal” com o ex-presidente e nem “contemporaneidade militar”.
Informou, ainda, que “não tinha poder de decisão” sobre movimentação de tropas e que respondia a decisões do comandante do Exército, à época o general Freire Gomes.
Veja o trecho:
[Disse] que não possuía poder decisório de movimentar tropas; que não tinha tropas sob sua subordinação; indagado se possui relação próxima ou de contemporaneidade militar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, respondeu que não tinha qualquer relação pessoal com o ex-presidente nem contemporaneidade militar; que não o conhecia pessoalmente; que nunca teve relação de proximidade com o então presidente.
Theophilo relatou que foi ao Palácio do Alvorada três vezes, todas elas após o segundo turno das eleições de 2022. Ele afirmou ter ido ao local a pedido do general Freire Gomes e que em duas oportunidades estava acompanhado do ex-comandante do Exército. No dia 9 de dezembro de 2022, ele foi sozinho ao Alvorada por ordem de Freire Gomes.
Veja o trecho:
que foi apenas três vezes ao Palácio da Alvorada, todas após o segundo turno das eleições de 2022; que as três vezes o declarante foi ao Palácio da Alvorada a pedido do General Freire Gomes; que duas vezes estava acompanhado do general Freire Gomes e em uma oportunidade, no dia 09/12/2022, foi sozinho, por ordem do General Freire Gomes.
O general da reserva afirmou que, no dia 9 de dezembro daquele ano, foi sozinho ao Alvorada para ouvir Bolsonaro se lamentar sobre o resultado das eleições e que nesta ocasião não conversou sobre a trama golpista, que apenas ficou ouvindo o ex-presidente. Ele também disse que, em nenhum momento, foi apresentado minuta ou documento sobre a tentativa de golpe.
Veja o trecho:
Que a segunda [reunião] ocorreu no dia 09/12/2022, no Palácio do Alvorada, apenas com o então presidente Jair Bolsonaro, por ordem do general Freire Gomes dada no mesmo dia; que a reunião foi para ouvir lamentações do então presidente da República sobre o resultado das eleições; que apenas ouviu o presidente falando; que a reunião foi realizada apenas com o ex-presidente; QUE posteriormente foi embora; que na reunião não foi tratado sobre uma possível minuta de golpe ou utilização de GLO, Estado de Defesa, Estado de Sítio ou Intervenção Federal.
Fontes que colaboram com as investigações avaliam que o ex-presidente estava mais inconformado com a falha na tentativa de se manter no poder do que irritado com a derrota para Lula (PT) nas eleições de 2022.
Desânimo de Bolsonaro após perder eleições foi porque ele não conseguiu aplicar golpe
Por outro lado, Freire Gomes negou em seu depoimento à PF que determinou que Theophilo fosse a reuniões com Bolsonaro no Alvorada.
Veja o trecho do depoimento de Freire Gomes:
Indagado sobre qual atitude tomou ao saber da ida do general Theophilo ao Palácio do Alvorada, respondeu que tomou conhecimento, por meio de áudio encaminhado pelo tenente-coronel Mauro Cid, que o então presidente Jair Bolsonaro solicitou a ida do general Theophilo ao Palácio da Alvorada no dia 09/12/2022; que não partiu do depoente a ordem para que o general Theophilo fosse até o Palácio de Alvorado se encontrar com o então presidente; que não tinha ciência do motivo da convocação; que ficou desconfortável com o episódio, por desconhecer o teor da convocação e considerando o conteúdo apresentado nas reuniões anteriores.
Theophilo, além de ter dito que foi a pedido de Freire Gomes, disse que reportou “todo o conteúdo desta reunião” em que foi sozinho ao ex-comandante e que fez o relato na residência dele. O general ainda foi perguntado se Bolsonaro solicitou a ele que, na condição de comandante do Coter, atuasse para cumprir a GLO, ele respondeu que “não”.
Veja trecho:
Indagado se o então presidente Jair Bolsonaro solicitou que o declarante, na condição de comandante do Coter, general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira atuasse para cumprir a Garantia de Lei da Ordem/Estado de Defesa, respondeu que não.
Valdemar Costa Neto
Valdemar Costa Neto
Jornal Nacional/Reprodução
No depoimento à PF, o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, foi questionado sobre as falas de Bolsonaro que, ainda como presidente da República, lançavam dúvidas sobre as eleições de 2022.
Ele afirmou que “não concorda” com as suspeitas levantadas pelo ex-presidente sobre a lisura das urnas eletrônicas e do resultado da eleição que deu vitória a Lula.
Veja o trecho do depoimento:
Indagado se, na condição de presidente do Partido Liberal, concorda com as palavras do então presidente Jair Bolsonaro de que haveria fraude nas urnas eletrônicas e consequentemente nas eleições presidenciais de 2022, respondeu que não concorda com a fala do presidente Bolsonaro, pois já participou de várias eleições e nunca presenciou nada que desabonasse o sistema eleitoral brasileiro. Inclusive, [disse que] orientou a bancada do partido a votar contra a implementação do voto impresso.
Valdemar Costa Neto diz à PF questionou as eleições porque foi pressionado por Bolsonaro
Em 22 de novembro de 2022, o PL entrou com um pedido de verificação extraordinária do resultado do segundo turno das eleições no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No pedido, o PL pediu a invalidação dos votos de mais de 250 mil urnas sem apresentar qualquer prova de fraude. O pedido ignorava que as mesmas urnas tinham sido usadas no primeiro turno das eleições.
O relatório elaborado por uma consultoria privada alegava que as urnas anteriores ao modelo 2020, cerca de 60% do total utilizado nas eleições, têm um número de série único, quando, na opinião da consultoria, deveriam apresentar um número individualizado, porque somente assim, afirma o relatório, seria possível fazer uma auditagem.
No entanto, todas as entidades fiscalizadoras à época atestaram que a ausência desse número de série não significava que os resultados estivessem comprometidos ou que não fosse possível associar os boletins a cada urna, uma vez que esse número não é a única forma de identificação, nem o que confere autenticidade à urna.
Questionado sobre o pedido do PL, Valdemar respondeu que a consultoria privada, o Instituto Voto Legal, foi contratada pela sigla para “fiscalizar”, e não para atender a uma ordem de Bolsonaro de “questionar” o resultado eleitoral. Afirmou ainda que a contratação foi “uma demanda direta de Bolsonaro e de deputados do PL”.
Ele também disse que foi o ex-ministro e atual senador Marcos Pontes (PL) quem indicou o instituto e que o PL pagou R$ 1 milhão, em cinco parcelas, pelo serviço prestado.
Veja os trechos do depoimento:
Indagado de quem foi a ideia em contratar o Instituto Voto Livre, respondeu que a ideia surgiu entre os deputados do Partido Liberal e do então presidente Jair Bolsonaro.
Indagado quem o apresentou aos representantes do Instituto Voto Livre, respondeu que não havia empresas capazes de exercer fiscalização das urnas e o então ministro Marcos Pontes indicou que procurassem o Instituto Voto Legal, pois poderiam ajudar.
Indagado quanto ao total foi pago ao Instituto Voto Livre pelo Partido Liberal pelos serviços prestados nas eleições presidenciais de 2022 ,respondeu que foi pago, aproximadamente, um milhão de reais, em cinco parcelas, pago com recursos próprios do Partido Liberal.
Costa Neto relatou que, quando o relatório vazou, Bolsonaro e deputados do PL “o pressionaram para ajuizar a ação no TSE”. Como o relatório não indicava prova das supostas fraudes no sistema eleitoral, o então presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, multou o PL em R$ 22,9 milhões por má-fé na apresentação do documento.
Sobre as “minutas do golpe”, Costa Neto disse no depoimento “que sempre descartou os documentos recebidos, pois eram apócrifos” (sem assinatura), e que os destruía “na sede do partido”, triturando-os.
Veja os trechos:
Indagado se armazenou/teve em sua posse minuta encaminhada por advogados para de utilização do art. 142, da CF/88, respondeu que sempre descartou os documentos recebidos, pois eram apócrifos.
Indagado quando e onde triturou documentos relacionados a utilização do art. 142, da CF/88, respondeu que descartou os documentos na Sede do Partido.

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Política

Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda

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A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.

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Política

Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja

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Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).

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Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado

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Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP

O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).

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