Economia
Viracopos fecha junho com maior nº de passageiros em viagens internacionais desde início da pandemia; fluxo de cargas diminui
Concessionária teve recorde de viajantes entre janeiro e junho, e projeta novas altas. Movimento em terminal de cargas, porém, segue inferior ao registrado em 2022. Torre do controle no Aeroporto de Viracopos, em Campinas
Fernando Pacífico/g1
O Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), encerrou o primeiro semestre deste ano com 6,2 milhões de passageiros, alta de 13% sobre os 5,5 milhões atendidos de janeiro a junho de 2022. A quantidade é recorde para o período desde o início da gestão integral pela iniciativa privada, em 2013.
O aumento geral ao longo dos seis meses inclui crescimento de 89% do número de viajantes internacionais, sendo que em junho houve a maior quantidade desde início da pandemia de Covid-19.
Em contrapartida, o fluxo de cargas de janeiro a junho caiu 15,6%, no comparativo com mesmo intervalo do ano anterior. Veja abaixo detalhes e o que diz a concessionária administradora.
Alta de passageiros 🛫
Dados da concessionária Aeroportos Brasil Viracopos mostram que 1,04 milhão embarcaram ou desembarcaram em Campinas no sexto mês de 2023, e, deste total, 102,1 mil foram ao exterior ou chegaram ao Brasil. A soma geral fica atrás apenas de janeiro, quando 1,15 milhão usaram a estrutura.
Até então, a quantidade de pessoas que deixaram ou retornaram ao Brasil por Viracopos havia sido superior em janeiro de 2020, antes da crise sanitária, quando o saldo foi de 104,7 mil. O total do primeiro semestre deste ano foi de 516,7 mil passageiros, ante 272,3 mil em seis meses de 2022.
A concessionária mencionou que há negociações para implantação de novas rotas internacionais, porém, neste momento, mantém sob sigilo os destinos prováveis por conta de “questões comerciais”.
“A tendência é de crescimento no movimento de passageiros internacionais em 2023, pois Viracopos passou a ter voos diretos para Paris, capital francesa, no último dia 26 de abril. A nova rota é operada pela Azul Linhas Aéreas e são seis voos por semana. Hoje, Viracopos possui voos diários de chegada e de partida para Fort Lauderdale [EUA], Orlando [EUA], Lisboa [Portugal] e Paris [França]”, diz nota da concessionária.
Para o economista da PUC-Campinas Roberto Brito de Carvalho, o fato de Viracopos ampliar a referência para voos internacionais e a demanda reprimida de viagens decorrente da pandemia explicam o aumento, apesar da cotação do dólar e o custo elevado das passagens aéreas.
“Muitas pessoas planejaram e alteraram as viagens, e o segundo semestre deve ser marcado com intensidade maior porque há mais feriados, é a temporada de verão no Brasil e é comum receber turistas internacionais por este aeroporto”, explicou.
Viracopos já havia encerrado 2022 com recorde de viajantes desde o início da concessão para a iniciativa privada: 11,8 milhões, o que representou acréscimo de 1,8 milhão sobre os 10 milhões verificados no período anterior. A diferença, com exemplo para comparativo, é superior à população de quase 1,13 milhão de habitantes em Campinas, segundo estimativa do Censo realizada em 2022.
Além disso, a concessionária projeta 14 milhões de passageiros até o fim deste ano ao considerar não apenas a diminuição de reflexos gerados pela crise sanitária, mas também aspectos econômicos.
Baixa em fluxo de cargas 📦
A quantidade de cargas movimentadas pelo terminal de Viracopos caiu 15,5% de janeiro a junho, em relação ao mesmo período de 2022. A estrutura em Campinas (SP), chamada de TECA, é a maior deste tipo no país e a concessionária associa o resultado de janeiro e fevereiro a um contexto global.
A estrutura totalizou 148,4 mil toneladas de produtos em fluxos domésticos e de importação e exportação durante os seis meses, enquanto em 2022 o total foi de 175,9 mil toneladas.
Por outro lado, considerando-se as cargas courier – remessas internacionais de documentos ou encomendas transportadas ou liberadas sob regime aduaneiro específico – houve alta de 6,3% no período: foram 3.325 toneladas de janeiro a junho do ano passado, e 3.536 toneladas este ano.
Em 2022, o aeroporto já havia fechado o exercício com baixas de 2% no total de cargas movimentadas em relação ao ano de 2021. O resultado interrompeu uma série positiva desde 2019.
Relatório sobre o setor e análise
Em 7 de março, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou um comunicado sobre resultados dos mercados globais no mês de janeiro onde destacou que a demanda por carga aérea diminuiu em meio a um contexto marcado por adversidades econômicas.
A demanda de operações internacionais, diz o texto, caiu 14,9% no mesmo comparativo com janeiro de 2022, enquanto a capacidade de transporte – tonelada de carga por km – aumentou 3,9%.
Entre fatores indicados como possíveis explicações dos resultados estão incertezas que influenciam na economia, como a Guerra na Ucrânia e a inflação em alguns países. Além disso, a associação destacou que o mercado global de mercadorias baixou 3% em dezembro, e a demanda por produtos manufaturados das duas maiores economias do mundo, Estados Unidos e China, “está estabilizando”.
O documento sinalizou que as transportadoras da Europa tiveram o pior desempenho entre todas as regiões no quesito redução do volume de cargas, em 19%, e que ocorreram baixas também nas áreas do Oriente Médio, Ásia-Pacífico, África e América do Norte. A única exceção está atrelada às companhias da América Latina, que tiveram melhor desempenho comparativo, com alta de 4,6%.
Além de admitir impacto na arrecadação e mencionar o relatório da Iata, a Aeroportos Brasil Viracopos mencionou trabalho contínuo para criar novos serviços logísticos e atrair novos negócios para o terminal de cargas, uma das estruturas mais relevantes do país para o comércio exterior.
“Entre os novos serviços criados está o LTL [Less Than Truckload], um serviço logístico de transporte rodoviário de carga fracionada que oferece comodidade, custo reduzido, previsibilidade e rastreabilidade da carga”, informa nota da concessionária do terminal. Atualmente, Viracopos responde por aproximadamente 40% do volume de produtos importados no Brasil pelo modal aéreo.
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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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