Economia
‘Eles nem olham idade’: Como crianças viram ‘donas’ de empresas e acabam devendo milhões sem saber
Sujaram meu nome: brasileiros passam infância com dívidas de milhões de reais
Por vezes, as primeiras dívidas de uma pessoa chegam antes mesmo dela saber ler o próprio nome. No Brasil, menores de idade podem ser legalmente incluídos como sócios de empresas, desde que representados por um responsável.
Na prática, a brecha na lei tem transformado meninos e meninas em “empresários fantasmas”, responsabilizados judicialmente por falências, dívidas trabalhistas e fraudes cometidas por adultos.
“Eles nem olham idade. É um CPF e um nome”, resume a especialista antifraude Renata Furst, uma das vítimas desse tipo de prática. Ela descobriu ainda adolescente que devia milhões em nome de uma empresa aberta por um parente. Na infância, oficiais de justiça batiam à porta de casa, e a mãe pedia que se escondesse. Outras vezes, chegavam cartas com seu nome. “Eu achava que era um príncipe escrevendo pra mim”, relembra.
Casos assim não são raros. Segundo dados da Serasa, cerca de 250 mil menores de idade já tiveram o nome envolvido em registros de dívida no país. Especialistas apontam que o problema nasce de uma contradição legal: o Código Civil permite que crianças e adolescentes sejam sócios de empresas, mas o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante proteção integral e o direito ao desenvolvimento sem interferências patrimoniais.
Leia também
‘Aos seis anos, brasileira recebia cartas de cobrança após família sujar seu nome; hoje combate golpes em Wall Street
Não ganha dinheiro por falta de conhecimento’: quem é ex-PM, guru e chefe de esquema que ensinava a lucrar em jogos online
Bebida ilegal: Brasil fechou uma fábrica a cada 5 dias em dois anos
“O Código Civil não acompanhou a evolução constitucional. Ele ainda trata crianças como objetos de posse”, explica um advogado especialista em direito civil. “Há uma disparidade entre as normas. O ECA protege, mas o Código abre a porta para esse tipo de abuso.”
Os impactos são duradouros. Muitos descobrem a fraude apenas na vida adulta, ao tentar abrir uma conta bancária ou financiar um bem e perceber que estão impedidos por ordens judiciais.
“Eu tinha 18 anos quando o banco ligou dizendo que minha conta havia sido bloqueada por decisão judicial”, conta uma vítima. “Tentei explicar que, em 1996, eu tinha seis anos, mas a atendente respondeu: ‘Querida, não interessa. A gente tem que cumprir a ordem’.”
Em alguns casos, o próprio sistema judiciário demora a reconhecer a condição de vítima. “Quando a Justiça vai atrás dos bens da empresa, e não há patrimônio, ela parte para os bens dos sócios, sem importar a idade”, explica um jurista. “Essas pessoas crescem com o nome sujo, sem acesso a crédito, e carregam dívidas que não são delas.”
Para especialistas, é preciso que o país enfrente essa contradição legal e moral. “Crianças e adolescentes são pessoas em desenvolvimento e têm direito constitucional ao pleno desenvolvimento da personalidade”, diz o advogado. “CPF de criança não é solução para problema de adulto. Quando pais ou responsáveis usam o nome dos filhos para escapar de dívidas, o sistema precisa intervir.”
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
-
Mato Grosso do Sul4 anos agoEXPOGRANDE SEM SHOWS DE ARTISTAS REGIONAIS. VOCÊ CONCORDA?
-
Política4 anos ago
Mercado financeiro eleva estimativa de crescimento do PIB de 2023 para 0,85%
-
Ciência e Saúde4 anos ago
Sono irregular aumenta o risco de aterosclerose e doença cardiovascular
-
Ciência e Saúde4 anos ago
A melhor hora para criar músculos é agora!
-
Economia4 anos ago
Reforma tributária: Fazenda defende ‘mínimo possível de exceções’ ao novo imposto sobre consumo
-
Economia4 anos ago
Ibovespa opera em queda, com plano de crescimento da China e âncora fiscal em foco
-
Economia4 anos ago
Centro-oeste de SP inicia semana com quase 500 vagas de emprego; veja como se candidatar
-
Política4 anos agoJoias para Michelle: fatos revelam ‘procedimento padronizado e conduta exemplar’ de auditor, diz Sindifisco


