Economia
O custo silencioso do presencial: por que a volta ao escritório enfrenta tanta resistência
Home office em extinção?
O movimento acontece aos poucos, mas já dá para perceber: mais gente no trânsito, elevadores cheios, escritórios voltando a ganhar movimento.
Depois que o home office virou regra para milhares de empresas durante a pandemia da Covid-19, as empresas estão puxando o retorno ao presencial — e os dados indicam que essa virada já está em curso.
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Um estudo da WeWork, em parceria com a Offerwise, divulgado nesta quarta-feira (6), ajuda a dimensionar essa mudança. Hoje, 63% dos brasileiros trabalham de forma presencial. Para a maioria deles (79%), isso não é uma escolha, mas uma exigência.
Quando a decisão depende do profissional, apenas 42% dos entrevistados optariam por trabalhar exclusivamente no escritório. Os demais preferem modelos híbridos ou totalmente remotos.
⚠️ Esse desencontro já aparece na prática. Em São Paulo, a taxa de vacância de imóveis corporativos atingiu 13,4% no primeiro trimestre de 2026, o menor nível registrado em 14 anos, segundo a consultoria imobiliária JLL.
No mercado de trabalho, o cenário é semelhante: vagas remotas diminuem, enquanto oportunidades presenciais e híbridas avançam, sendo que estas já superam as totalmente remotas, apontam plataformas de recrutamento como a Gupy.
O Nubank, por exemplo, enfrentou resistência ao anunciar o fim do modelo 100% remoto no ano passado. Em carta, trabalhadores citaram impactos diretos, como a necessidade de mudança de cidade e a reorganização da rotina.
🤔 Mas o que explica esse movimento? Um levantamento da Mercer Brasil mostra que 76% dos gestores relatam insegurança em relação à produtividade no trabalho remoto, além de desafios como excesso de reuniões (66%) e dificuldades na gestão e na cultura organizacional.
Por outro lado, se para as empresas o retorno parece fazer sentido, entre os trabalhadores ele encontra resistência.
O custo invisível
A resistência ao retorno não está, necessariamente, no escritório em si, mas no que ele exige. O principal fator é o deslocamento. Para 65% dos trabalhadores, o tempo gasto no trajeto é a maior desvantagem do modelo presencial — um desgaste diário que afeta diretamente a vida pessoal.
🚄 A maioria dedica entre 30 minutos e 1 hora por dia ao percurso entre casa e trabalho.
É um custo silencioso, explica Beatriz Kawakami, gerente de negócios da WeWork Brasil. Não aparece no salário, mas aumenta o cansaço, reduz o tempo livre e interfere na rotina fora do expediente.
Há também impacto financeiro. Mais da metade dos profissionais, 53%, relata aumento de gastos com transporte, alimentação e outras despesas associadas ao trabalho presencial.
E, ao chegar ao escritório, nem sempre a experiência compensa. Ambientes barulhentos, apontados por 57%, e a falta de espaços de descanso, mencionada por 53%, estão entre as principais reclamações.
Busca por flexibilidade
Nesse contexto, a flexibilidade ganha um novo peso. Quando retirada, deixa de ser um benefício e passa a atuar como fator de saída: 44% dizem que a perda da flexibilidade gera desmotivação, e 38%, ansiedade.
Essa insatisfação se conecta a uma transformação mais ampla. O mercado de trabalho brasileiro em 2026 já não aceita o emprego como um “pacote fechado”, afirma Kawakami. O trabalho passou a ser avaliado pelo impacto que tem na vida das pessoas.
Segundo o estudo da WeWork, 93% dos profissionais consideram essencial equilibrar vida pessoal e trabalho. Além disso, 64% afirmam que trocariam de emprego por uma melhor qualidade de vida, mesmo com salário menor.
A pesquisa, feita com 2,5 mil profissionais em todo o país, mostra predominância de millennials, que representam 37%, e da geração Z, com 32%. Esses grupos priorizam propósito e flexibilidade, enquanto a geração X, com 26%, mantém o papel de estabilidade nas equipes.
A própria geração Z ajuda a ilustrar essa mudança. A ideia de que os mais jovens não se preocupam com vínculos formais começa a perder força. “As novas gerações aprendem desde cedo que precisam se adaptar e buscar seus próprios caminhos”, afirma o sociólogo Ricardo Nunes.
O escritório precisa competir com a casa
Mesmo diante das críticas, o trabalho presencial não perdeu totalmente o valor.
Para 55% dos profissionais, ele ainda é importante para a integração das equipes, e 49% destacam o fortalecimento das relações interpessoais.
➡️ Mas, para competir com o trabalho remoto, é preciso oferecer mais.
“O escritório não compete mais apenas com outras empresas — ele compete com o conforto do lar”, afirma Claudio Hidalgo, presidente regional da WeWork Latam.
Para metade dos trabalhadores, itens básicos como café, lanches e espaços amplos são essenciais.
Quando há investimento em melhorias, como escritórios maiores e mais bem estruturados, o nível de satisfação pode chegar a 96%.
Para a WeWork, a lógica é direta: o tempo de deslocamento precisa ser compensado por uma experiência superior no destino.
Segundo Beatriz Kawakami, as empresas têm adotado uma combinação de estratégias para tornar o presencial mais atrativo e reduzir resistências, especialmente relacionadas ao tempo de deslocamento.
A principal delas é a flexibilização dos modelos de trabalho. Equipes com maior autonomia tendem a buscar formatos híbridos, com horários ajustáveis à realidade de cada time, em vez de uma regra única para toda a companhia.
A lógica, explica Beatriz, é reconhecer as diferenças entre áreas e funções. Quando as decisões são feitas por time, e não de forma padronizada, a produtividade tende a aumentar.
Essa flexibilidade inclui também a possibilidade de trabalhar em outros prédios ou unidades mais próximas de casa, reduzindo o tempo gasto no transporte.
Outra frente é a escolha de escritórios inseridos em complexos multiuso, que concentram diferentes serviços no mesmo local.
🏋️♀️Esses espaços costumam ter comércio no térreo, restaurantes, academias, cabeleireiros e outros serviços, o que facilita a rotina e diminui a necessidade de novos deslocamentos ao longo do dia. Esse tipo de solução, segundo Beatriz, já aparece com força no mercado.
Levantamentos do setor indicam que cerca de 70% dos novos projetos corporativos seguem essa lógica, apoiada em quatro pilares principais: flexibilidade de horários, diversidade de local de trabalho, integração com serviços e estímulo à convivência urbana.
A tendência, afirma, é que esse modelo se torne cada vez mais comum. Ou seja, mesmo com a pressão pelo retorno, ainda há espaço para negociação.
Ainda segundo o estudo, 82% aceitariam trabalhar mais dias no escritório em troca de um salário maior.
Novo escritório da Conta Simples fica no Brooklin, um dos bairros mais valorizados de São Paulo
Gladstone Campos/ Conta Simples
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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