Economia
Por que o PCC usa metanol para adulterar combustíveis no Brasil; veja os riscos para o carro
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Uma das principais descobertas da megaoperação desta segunda-feira (28) foi o grau de envolvimento da facção criminosa PCC na adulteração de combustíveis. O grupo tinha um complexo esquema de importação de metanol para misturar na composição de gasolina e etanol.
A principal razão para a adulteração com metanol é o baixo custo — ele é mais barato de fabricar. O composto é subproduto do gás natural, uma matéria-prima abundante, e tem uma carga de impostos significativamente menor em comparação com os combustíveis automotivos.
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Além disso, a dissolução dele nos combustíveis é de difícil detecção. “O metanol tem alta capacidade de combustão, a água não. Além disso, nos testes a água separa totalmente do combustível, o metanol não”, explica Tenório Júnior, técnico e professor de mecânica automotiva.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) até permite um limite máximo de 0,5% na mistura, mas a investigação mostra que o percentual chegava a até 90% em alguns postos.
De acordo com Ricardo Abreu, engenheiro mecânico e consultor de mobilidade sustentável para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a ANP permite a presença porque ele pode ser um subproduto do processo de produção do etanol, mas não deve ser adicionado.
Diferença de rendimento chega a 25%
A principal distinção entre metanol e etanol reside na matéria-prima e no processo de produção.
Etanol: Sua produção é feita a partir da cana-de-açúcar. O etanol é obtido por fermentação da biomassa e transformação de açúcar em etanol.
Metanol: É um composto produzido a partir do gás natural, especificamente do gás metano (CH₄) através de uma reação química. O metanol é um dos compostos orgânicos mais relevantes na indústria química, utilizado na fabricação de adesivos, solventes, pisos, revestimentos e como matéria-prima na fabricação de biodiesel.
A quantidade de energia é uma das grandes diferenças entre o metanol e o etanol.
“A quantidade de energia que 1 litro de etanol tem é 25% maior do que 1 litro de metanol. Se o consumidor chegar no posto de abastecimento pensando que vai abastecer de etanol e, em vez disso, encher o tanque de metanol, ele estará levando 25% a menos de energia, vai rodar 25% a menos”, afirma Ricardo Abreu.
Além disso, o metanol em excesso pode causar danos graves ao veículo e riscos à saúde humana. Dentre esses riscos para o carro estão:
Superaquecimento do motor: quando um veículo calibrado para etanol recebe metanol, a mistura de combustão se torna “pobre”, faltando combustível. A chama fica muito lenta, fazendo com que a energia se transforme em calor, causando problema de superaquecimento, podendo queimar válvulas e derreter a vela de ignição.
Corrosão e ataque a componentes: o metanol é altamente corrosivo e ataca materiais plásticos e borrachas. “Os problemas são mais graves de corrosão, os problemas de ataque a borracha, permeabilidade”, afirma Abreu. Isso acaba por exigir a substituição de diversos materiais em tubulações e tanques.
Maior poluição: a combustão inadequada do metanol resulta em um nível de poluentes maior que o etanol.
Toxicidade ambiental: em caso de derramamento, o metanol penetra rapidamente na terra e atinge o lençol freático, contaminando a água.
Tipos de metanol: cinza, azul e verde
Metanol cinza: é o tipo mais comum, obtido a partir da síntese do metano (gás natural) ou, em alguns casos, do carvão. Ou seja, não é considerado uma energia renovável ou limpa.
Metanol azul: produzido também a partir do gás natural, mas com a incorporação de tecnologias de captura e armazenamento de carbono gerado durante sua produção. Ricardo Abreu detalha que ele “faz uma recaptura de carbono”, tornando-o um “produto de baixo carbono”, embora não seja de matéria-prima limpa.
Metanol verde: considerado o mais sustentável, é produzido usando apenas fontes de energia renovável e sem emissão de gases nocivos para a atmosfera. Abreu descreve que é feito a partir de “hidrogênio verde” (produzido com energia limpa) e CO₂, utilizando eletricidade.
O metano já foi usado pela indústria automotiva
O metanol já teve seu lugar como combustível no setor automotivo, embora com desafios. O metanol era usado na Fórmula Indy, categoria máxima ao automobilismo norte-americano, equivalente à Fórmula 1 nos EUA.
A Indy utilizou metanol e gasolina em seus carros até 2022. Na temporada seguinte, há dois anos, a Indy passou a utilizar etanol 100% renovável.
Apesar de suas qualidades para extrair mais desempenho em alta compressão, o metanol enfrentou problemas práticos para o uso em veículos comuns. O engenheiro mecânico da Unica aponta, assim como outros especialistas ouvidos pelo g1, a corrosão como um grande problema.
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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