Economia
Trump chama Powell de ‘burro’ e ‘teimoso’, e chefe do Fed reafirma que corte nos juros pode esperar
O republicano tem pressionado e criticado repetidamente o presidente do banco central dos EUA por redução nas taxas. Decisão da última semana manteve os juros do país na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano. Trump diz que não planeja demitir Powell, mas volta a pressionar Fed por juros mais baixos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar publicamente o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central do país), Jerome Powell. O republicano chamou Powell de “burro” e “teimoso”, pouco antes de o banqueiro central participar de uma audiência na Câmara dos EUA.
Trump tem pressionado e feito repetidas críticas contra o presidente do Fed por cortes nas taxas de juros do país. Na última quarta-feira (18), a autoridade monetária decidiu manter, pela quarta vez seguida, o referencial na faixa inalterado de 4,25% a 4,50% ao ano.
“Deveríamos estar pelo menos dois a três pontos abaixo”, afirmou Trump, em uma publicação nas redes sociais antes da participação de Powell na audiência. Ele também disse esperar que “o Congresso realmente acabasse com essa pessoa muito burra e teimosa”.
LULA OU TRUMP? Compare as críticas dos presidentes aos chefes dos BCs do Brasil e dos EUA
Já no Congresso, o chefe do BC americano reafirmou que os cortes nos juros podem aguardar. Powell disse que não abrirá caminho para uma redução na próxima reunião do Fed, em julho, “ou em qualquer outra reunião”. Recentemente, integrantes da instituição chegaram a sugerir mudanças nas taxas.
“Não quero me concentrar em nenhuma reunião específica. Não acho que precisamos ter pressa”, declarou Powell. Ele também ponderou que o mercado de trabalho continua forte e que ainda há grande incerteza sobre os impactos das tarifas sobre importações aplicadas por Trump.
Risco inflacionário
Questionado por membros republicanos da Câmara sobre o motivo de o Fed não cortar as taxas, Powell disse que ele e muitos membros do Fed esperam que a inflação suba em breve. Por isso, o BC não tem pressa em aliviar os juros.
Segundo ele, as tarifas mais altas impostas por Trump podem começar a elevar a inflação neste verão do hemisfério norte (21 de junho e 22 de setembro), período que será crucial para a instituição considerar possíveis cortes nas taxas.
“Devemos começar a ver isso durante o verão, nos números de junho e de julho. Se não virmos, estamos perfeitamente abertos à ideia de que o repasse [aos consumidores] será menor do que pensamos. E, se isso acontecer, isso será importante para a política”, declarou.
“Acredito que, se as pressões inflacionárias permanecerem contidas, chegaremos a um ponto em que cortaremos as taxas mais cedo ou mais tarde”, acrescentou.
Powell também disse que a política do Fed não tem como objetivo endossar ou criticar a abordagem do governo Trump em relação ao comércio — mas, sim, lidar com o impacto da inflação. As previsões da instituição e do mercado indicam que o índice de preços irá ganhar força ao longo do ano.
“Não estamos comentando sobre tarifas”, disse Powell. “Nosso trabalho é manter a inflação sob controle e, quando as políticas têm implicações significativas de curto e médio prazo, então a inflação passa a ser nosso trabalho.”
Decisão sobre juros
O anúncio do Fed na última quarta-feira foi o quarto desde que Donald Trump tomou posse como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro. O cenário, porém, ficou mais adverso de lá para cá, diante da guerra tarifária promovida pelo republicano e da escalada dos conflitos no Oriente Médio.
Economistas e agentes do mercado têm feito uma série de alertas sobre os impactos nos EUA das taxas aplicadas a outros países — em especial, contra os principais parceiros comerciais dos norte-americanos. Algumas tarifas estão em vigor. Outras, foram suspensas.
O grande destaque vai para a guerra comercial entre EUA e China. Os norte-americanos chegaram a anunciar taxas de até 145% sobre produtos chineses importados. Pequim, então, respondeu com alíquotas de até 125% sobre a importação de itens dos EUA.
Em 12 de maio, as duas maiores economias do mundo firmaram um acordo sobre o tarifaço, com redução das taxas por 90 dias. Acusações de falta de cumprimento dos termos, porém, exigiram uma renegociação, cuja trégua está na mesa para avaliação de Trump e do presidente Xi Jinping.
Mesmo com a suspensão da escalada tarifária, agentes financeiros seguem receosos sobre os rumos da guerra comercial. A preocupação cresce com a aproximação da retomada das taxas do chamado “Dia da Libertação” de Trump, que atingiu mais de 180 países. A medida volta a valer no início de julho.
Efeitos da política tarifária
Apesar de o objetivo central de Trump ser priorizar a indústria nacional (e usar as tarifas como barganha em negociações), a cobrança de taxas sobre a importação de produtos encarece o custo de itens produzidos dentro dos EUA, o que tende a pressionar a inflação.
Além disso, a incerteza diante do vaivém tarifário e das ameaças do republicano tem prejudicado a confiança dos consumidores, levantando temores de que a maior economia do mundo possa enfrentar um período de esfriamento — ou, em cenários mais pessimistas, uma recessão.
Economia
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Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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