Economia
Trump intensifica ataque a presidente do Fed com ameaça de acusação criminal
Por Howard Schneider e Ann Saphir
12 Jan (Reuters) – O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua campanha de pressão sobre o Federal Reserve, ameaçando indiciar o chair Jerome Powell por comentários feitos ao Congresso sobre o projeto de reforma de um prédio, uma ação que Powell chamou de “pretexto” para ganhar mais influência sobre a taxa de juros, que Trump quer reduzir drasticamente.
O mais recente desenvolvimento em um esforço de longa data de Trump para obter maior controle sobre o Fed teve repercussão imediata, com o senador republicano Thom Tillis, membro do Comitê Bancário do Senado que examina os indicados presidenciais para o Fed, dizendo que a ameaça de indiciamento coloca em questão a “independência e credibilidade” do Departamento de Justiça.
Tillis disse que vai se opor a qualquer indicação de Trump para o Fed, incluindo a futura escolha do sucessor de Powell como chair, “até que essa questão legal seja totalmente resolvida”.
O que está em jogo é a independência do Fed para definir a política monetária dos EUA sem a influência indevida de autoridades eleitas, como Trump, que prefeririam custos de empréstimos mais baratos para seu apelo político.
Powell – elevado ao comando do Fed por Trump em 2018 – concluirá seu mandato em maio, mas não é obrigado a sair, e vários analistas consideraram que a mais recente medida do governo aumenta as chances de ele permanecer em desafio.
A ação – que surgiu cerca de duas semanas antes de o esforço de Trump para demitir outra autoridade do Fed, a diretora Lisa Cook, ser discutida na Suprema Corte – foi recebida com uma reação cautelosa em Wall Street. Os investidores têm observado com cautela o desenrolar da disputa entre Trump e o Fed desde que Trump foi eleito para o segundo mandato em novembro de 2024, com a promessa de melhorar a acessibilidade econômica para os norte-americanos após um período de inflação elevada.
“As revelações desta noite representam uma escalada dramática nos esforços do governo para tirar o apoio do Fed e podem desencadear uma série de consequências não intencionais que vão diretamente contra os objetivos declarados do presidente Trump”, disse Karl Schamotta, estrategista-chefe de mercado da Corpay.
AMEAÇAS E PRESSÃO
A última investida das autoridades de Trump foi revelada no final do domingo por Powell, que disse que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça na semana passada referentes a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de um projeto de reforma de um prédio de US$2,5 bilhões no complexo da sede do Fed em Washington.
“Na sexta-feira, o Departamento de Justiça notificou o Federal Reserve com intimações do grande júri, ameaçando com uma acusação criminal relacionada ao meu depoimento perante o Comitê Bancário do Senado em junho passado”, disse Powell. “Tenho profundo respeito pelo estado de direito e pela responsabilidade em nossa democracia. Ninguém – certamente não o chair do Federal Reserve – está acima da lei.”
“Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças do governo e da pressão contínua” por taxas de juros mais baixas e, de forma mais ampla, por uma maior influência sobre o Fed, disse ele.
“Essa nova ameaça não tem a ver com meu depoimento em junho passado ou com a reforma dos prédios do Federal Reserve. Não se trata do papel de supervisão do Congresso… Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é uma consequência do fato de o Federal Reserve estabelecer a taxa de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente.”
Trump disse à NBC News no domingo que não tinha conhecimento das ações do Departamento de Justiça. “Não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”, disse Trump.
Um porta-voz do Departamento de Justiça se recusou a comentar o caso, mas acrescentou: “O procurador-geral instruiu seus procuradores dos EUA a priorizar a investigação de qualquer abuso do dinheiro do contribuinte.”
(Reportagem de Howard Schneider, Ann Saphir e Michael Derby; reportagem adicional de Saqib Ahmed em New York)
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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