Economia
Censo do IBGE: quase um terço dos quilombolas do Brasil mora na Amazônia Legal
Estados da região concentram mais de 420 mil pessoas que se autodeclaram quilombolas, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (27). No Brasil, são mais de 1,3 milhão de quilombolas. População quilombola no Brasil: saiba os principais dados do Censo 2022
Mais de 30% dos brasileiros que se autodenominam quilombolas estão na Amazônia Legal. É o que mostram dados do Censo de 2022 divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (27).
Estes dados são inéditos, já que é a primeira vez que o Censo incluiu em seus questionários perguntas para identificar pessoas que se autodenominam quilombolas.
O Censo de 2022 mostra que:
O Brasil tem 1,3 milhão de pessoas que se identificam como quilombolas. Isso corresponde a 0,65% da população total do país.
Deste total, quase 427 mil estão nos estados que compõem a Amazônia Legal. Isso representa 32,1% dos quilombolas brasileiros e 1,6% da população local.
A Amazônia Legal é composta pelos seguintes estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.
Quilombolas na Amazônia Legal
Historicamente, os quilombos eram espaços de liberdade e resistência onde viviam comunidades de pessoas escravizadas fugitivas entre os séculos XVI e XIX. Cem anos depois da abolição da escravidão, a Constituição de 1988 criou a nomenclatura “comunidades remanescentes de quilombos” — expressão que foi sendo substituída pelo termo “quilombola” ao longo dos anos.
Uma pessoa que se autodetermina quilombola tem, portanto, laços históricos e ancestrais de resistência com a comunidade e com a terra em que vive.
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Como os quilombolas estão distribuídos na Amazônia Legal?
A maioria dos quilombolas da Amazônia Legal está nos estados do Maranhão e do Pará (90%).
Mesmo concentrando 1/3 dos quilombolas do país, chama a atenção que é na Amazônia Legal que estão os únicos dois estados do país em que nenhum habitante se autodeclara desta forma: Acre e Roraima.
Veja os habitantes quilombolas de cada estado da região:
Rondônia: 2.926 quilombolas
Acre: nenhum quilombola
Amazonas: 2.705 quilombolas
Roraima: nenhum quilombola
Pará: 135.033 quilombolas
Amapá: 12.524 quilombolas
Tocantins: 12.881 quilombolas
Maranhão: 248.661 quilombolas (número referente ao território do estado que faz parte da Amazônia Legal)
Mato Grosso: 11.719 quilombolas
Imagens do IBGE mostram funcionária do instituto e morador quilombola na região da Amazônia Legal
IBGE
Amazônia Legal X Territórios delimitados
Os dados do Censo também diferenciam os quilombolas que estão em territórios delimitados ou não. Veja alguns destaques sobre o assunto na Amazônia Legal:
Das 426,5 mil pessoas que autodeclaram quilombolas na região, 80,9 mil estão em territórios quilombolas oficialmente delimitados. Isso representa 18,9% do total.
A presença nos quilombolas nestes territórios é maior na região do a média nacional, onde apenas 12,6% destas pessoas estão dentro dos territórios.
Para fazer o cruzamento destas informações, o IBGE considerou os territórios quilombolas que apresentavam alguma delimitação formal no acervo fundiário do Incra ou dos órgãos com competências fundiárias nos estados e municípios até 31 de julho de 2022.
A proteção e o reconhecimento das comunidades quilombolas por meio da titulação de terras fazem parte de políticas públicas que buscam a preservação cultural, social, histórica e econômica destes territórios e das suas populações.
Estes territórios também são considerados espaços de preservação ambiental — já que as comunidades tradicionais (sejam elas indígenas ou quilombolas) são as maiores cuidadoras destas áreas.
Violência em comunidades tradicionais da Amazônia Legal
Em junho, representantes de órgãos públicos e pesquisadores denunciaram a crescente presença de facções criminosas em comunidade e territórios quilombolas e indígenas na região da Amazônia Legal.
Segundo os especialistas falaram durante o 17º encontro anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os criminosos estão dominando estas comunidades para se esconder, explorar a mão-de-obra local, evitar fiscalizações, praticar crimes ambientais e dominar a rota do tráfico internacional de drogas —um fenômeno que um integrante da Abin definiu como “neo-pistolagem”.
‘Neo-pistolagem’: facções criminosas ocupam comunidades indígenas e quilombolas na Amazônia
Segundo Aiala Couto, geógrafo e pesquisador da Universidade Federal do Pará, os moradores dessas comunidades estão cada vez mais vulneráveis no estado.
Na Comunidade Menino Jesus de Pitimandeua, em Inhangapí, nordeste do Pará, a rotina mudou, segundo o depoimento de um quilombola ao pesquisador:
“Eles entram no território, vendem drogas nas festas, usam drogas na beira do igarapé, entram armados dizendo que vão caçar e se escondem da polícia no quilombo”.
No território quilombola de Macapazinho, em Santa Isabel do Pará, um morador relatou que integrantes do Comando Vermelho usam o local para se esconder da polícia. “[Eles] acabam ficando, e a gente fica com medo de denunciar e sofrer represálias”, disse.
Veja todas as cidades do país que têm presença quilombola:
População quilombola por cidade
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Economia
Governo propõe aumentar limite do MEI para R$ 140 mil e ampliar contratação de funcionários
Simples Nacional.
Simples Nacional/Divulgação
Um projeto de lei complementar enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (29) propõe ampliar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) e permitir a contratação de até dois funcionários.
A proposta prevê um reajuste progressivo do teto, que hoje é de R$ 81 mil por ano. Pelo texto, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028. A medida atinge mais de 13 milhões de microempreendedores registrados no país.
Agora no g1
O projeto foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e faz parte de uma articulação do governo federal para atualizar as regras do regime simplificado.
Atualmente, o teto do MEI não é reajustado desde 2018. Segundo o governo, a defasagem acumulada ao longo dos anos — causada pela inflação e pelo aumento natural das receitas — tem dificultado a permanência de empreendedores na categoria.
A proposta busca justamente evitar que pequenos negócios precisem migrar para regimes tributários mais complexos à medida que crescem. Com o novo modelo, a ideia é permitir que os empreendedores ampliem suas atividades sem sair da formalização.
Além do aumento do teto, o projeto também altera as regras de contratação. Hoje, o MEI pode ter apenas um funcionário. Com a mudança, será possível contratar até dois empregados, o que, na avaliação do governo, deve dar mais flexibilidade à organização dos negócios e estimular a geração de empregos formais.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que a iniciativa tem caráter estratégico para a economia.
“Esse conjunto de medidas foi construído para remover obstáculos, ampliar oportunidades e dar condições para que milhões de empreendedores possam crescer, contratar e prosperar”, disse.
A proposta foi elaborada em conjunto com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
Agora, o texto começa a tramitar no Congresso e ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de entrar em vigor.
Simples Nacional
Criado em 2006, o Simples Nacional tem por objetivo de estimular as pequenas empresas. O regime especial consiste na unificação de alguns tributos com alíquota mais favoráveis para o empreendedor.
A reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023, não alterou os limites de enquadramento das empresas do Simples e do MEI.
Atualmente, podem aderir ao Simples:
microempreendedor individual que fatura até R$ 81 mil por ano;
transportador autônomo de cargas que fatura até R$ 251,6 mil por ano;
microempresas com até R$ 360 mil por ano; e
empresas de pequeno porte com até R$ 4,8 milhões anuais.
De acordo com estimativas da Receita Federal, o governo vai deixar de arrecadar R$ 136 bilhões em 2026 com o Simples Nacional.
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