Economia
Dólar oscila, após embate entre Trump e Musk e à espera de dados de emprego nos EUA
Na quinta-feira, a moeda americana caiu 1,05%, cotada em R$ 5,5855, no menor patamar desde outubro. A bolsa de valores encerrou com um recuo de 0,56%, aos 136.236 pontos. Notas de dólar
Luisa Gonzalez/ Reuters
O dólar oscila no início do pregão desta sexta-feira (6). A moeda americana operava em queda de 0,08% às 9h14, cotada a R$ 5,5813, após cair mais de 1% na véspera e atingir o menor patamar desde outubro. O Ibovespa começa a operar às 10h.
▶️ O mercado acompanha de perto o embate entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o bilionário Elon Musk, seu antigo aliado. Nesta quinta-feira, o republicano e o fundador da Tesla trocaram farpas, com direito a revelação de segredos e quebra de contratos, o que fez as ações da montadora despencarem mais de 14% (entenda a briga abaixo). Hoje, o clima melhora com a sinalização de que os dois devem conversar por telefone.
▶️ Além disso, uma conversa de 1h30 entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, sobre o tarifaço também movimentou os mercados. Trump classificou o desfecho como “muito positivo” e ainda sinalizou possíveis novos acordos com Alemanha e União Europeia, o que fortalece o apetite por risco dos investidores.
▶️ Hoje, o foco do mercado também se volta para o Payroll, o relatório oficial de emprego dos EUA. Indicadores divulgados ao longo da semana já sinalizaram uma desaceleração na geração de vagas, o que levanta dúvidas sobre a força da maior economia do mundo e reforça a cautela às vésperas da decisão de juros pelo Fed.
▶️ No Brasil, a falta de ações concretas para equilibrar as contas públicas segue a preocupar os investidores. O governo federal tem enfrentado forte pressão para derrubar o aumento do IOF e anunciar medidas que substituam a perda de arrecadação. Mas o pacote fiscal só deve ser apresentado ao público na próxima semana.
Entenda abaixo como cada um desses fatores impacta o mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -2,32%;
Acumulado do mês: -2,32%;
Acumulado do ano: -9,62%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -0,58%;
Acumulado do mês: -0,58%;
Acumulado do ano: +13,26%.
Trump x Xi Jinping
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, conversaram por telefone nesta quinta-feira (5), para tratar sobre o acordo comercial temporário recentemente firmado pelas duas potências, em 12 de maio.
“A conversa durou aproximadamente uma hora e meia e resultou em uma conclusão muito positiva para ambos os países. Não deve haver mais dúvidas quanto à complexidade dos produtos de Terras Raras”, afirmou Trump em publicação no Truth Social, sem dar mais detalhes sobre a conversa com o líder chinês.
Mais tarde, em entrevista a jornalistas, Trump disse que as conversas entre os dois países continuam em andamento e estão em “boa forma”, reiterando que representantes das duas potências devem se reunir em breve, em local a ser definido, para discutir o tema.
A tão aguardada ligação acontece em meio a acusações entre Washington e Pequim nas últimas semanas sobre minerais essenciais em uma disputa que ameaça destruir uma trégua frágil na guerra comercial entre as duas maiores economias.
Os países fecharam um acordo de 90 dias em 12 de maio para reverter algumas das tarifas de retaliação que haviam imposto um ao outro desde a posse de Trump em janeiro.
Embora as ações tenham se recuperado, o acordo temporário não abordou preocupações mais amplas que prejudicam o relacionamento bilateral, desde o comércio ilícito de fentanil até o status de Taiwan, governado democraticamente, e as reclamações dos EUA sobre o modelo econômico chinês dominado pelo Estado e voltado para a exportação.
As negociações estão sendo acompanhadas de perto por investidores preocupados com a possibilidade de uma guerra comercial caótica prejudicar os lucros corporativos e interromper as cadeias de suprimentos nos meses cruciais que antecedem a temporada de compras de fim de ano.
🔎 O mercado entende que o aumento das tarifas sobre importações pode elevar os preços finais e os custos de produção, pressionando a inflação e reduzindo o consumo — o que pode levar à desaceleração da maior economia do mundo e até a uma recessão global.
Além disso, no último capítulo da guerra de tarifas nesta semana, Trump assinou um decreto para dobrar as taxas sobre importações de aço, alumínio e derivados no país de 25% para 50%, o que afeta diretamente o Brasil.
A ação ocorre em um momento em que os EUA buscam negociações mais vantajosas com os países afetados pelo tarifaço imposto no início de abril.
Embora as taxas tenham sido parcialmente suspensas, elas serão retomadas integralmente em 8 de julho — e têm servido como ferramenta do presidente na tentativa de firmar acordos mais favoráveis com outras nações.
No começo desta semana, Trump indicou que vai pressionar os países para apresentarem propostas “melhores” nas negociações comerciais com os EUA.
Novos acordos à frente?
O presidente norte-americano também afirmou que espera fazer um “bom acordo comercial” com a Alemanha. O republicano se reuniu nesta quinta-feira com o chanceler alemão, Friedrich Merz.
“Nós teremos um grande acordo comercial. Acredito que isso será majoritariamente determinado pela União Europeia, mas vocês são uma parte muito importante disso”, disse o republicano a Merz no Salão Oval.
“Espero que cheguemos a um acordo ou faremos algo, sabe, aplicaremos tarifas”, completou.
Trump ainda disse que quer fazer com que os novos acordos comerciais feitos pelos EUA com seus parceiros incluam cláusulas que tratem sobre petróleo e gás.
Durante a tarde, o ministro de relações internacionais da Itália também afirmou estar confiante de que um acordo entre EUA e União Europeia deva sair até o prazo final de 9 de julho. “As negociações não estão indo mal”, disse, sugerindo que seria possível chegar a um acordo com base em tarifas de 10% entre os dois lados.
Trump x Musk
Os atritos entre o presidente norte-americano e o bilionário Elon Musk também mexeram com os mercados financeiros nesta quinta-feira.
Após o presidente da Tesla criticar o pacote orçamentário da gestão Trump, o republicano afirmou que estava “muito decepcionado” com Musk, ameaçando cortar os contratos com o bilionário.
▶️ Entenda a sequência da briga a seguir:
Durante um encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz, na Casa Branca, Trump afirmou estar decepcionado com Elon Musk por causa das críticas que o bilionário fez ao projeto de lei orçamentária que tramita no Congresso.
Trump disse que Musk já sabia que o projeto seria enviado ao Congresso e que não sabe se eles terão “uma ótima relação como antes”.
Pouco depois, Musk respondeu pela rede social X. Ele negou ter sido informado sobre o projeto e afirmou que Trump estava sendo ingrato: “Sem mim, Trump teria perdido a eleição”.
Em seguida, Trump reagiu no Truth Social com uma ameaça: “A maneira mais fácil de economizar bilhões e bilhões de dólares em nosso Orçamento é encerrar os subsídios e contratos governamentais de Elon Musk”.
Trump também afirmou que “mandou Musk embora” do governo porque ele estava o “irritando”. Disse ainda que retirou o “Mandato dos Carros Elétricos” e que o bilionário “ficou louco”.
O “mandato” citado por Trump é uma referência às políticas de eletrificação do setor automotivo e descarbonização adotadas durante o governo Biden.
Musk voltou a responder no X, dessa vez acusando Trump de estar ligado ao escândalo sexual envolvendo Jeffrey Epstein: “Donald Trump está nos arquivos de Epstein. Essa é a verdadeira razão pela qual eles não foram tornados públicos”.
Impasse do IOF
No Brasil, a crise do governo após o anúncio do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), há duas semanas, também continua a mexer com os mercados.
A elevação do IOF foi proposta há duas semanas, junto com um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento deste ano. O objetivo era o de equilibrar as contas públicas e cumprir a meta fiscal.
No entanto, o mercado reagiu mal à decisão, o que levou o governo a recuar no mesmo dia de parte da medida. Além disso, o Congresso começou a se movimentar para aprovar uma derrubada do decreto presidencial sobre o aumento de imposto, algo inédito nos últimos 25 anos.
O governo, então, buscou os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e negociou um prazo de dez dias para apresentar uma proposta alternativa que substitua parte dos ganhos que seriam obtidos com o novo IOF.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a proposta foi apresentada nesta terça-feira (3), mas só será divulgada ao público na semana que vem. Até lá, a alta do IOF continua.
No início da semana, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou sua posição crítica em relação ao aumento do IOF.
“Sempre tive a visão de que a gente não deveria usar o IOF nem para questões arrecadatórias nem para apoiar política monetária. Acho que é um imposto regulatório, como está bem definido”, afirmou Galípolo, durante evento com analistas do mercado financeiro.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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